INCÊNDIOS: Montenegro admite que não esteve bem

O primeiro-ministro reconheceu ontem que pode ter contribuído para uma percepção de que o acompanhamento do Governo perante os incêndios não foi próximo, apesar de a considerar injusta e afirmar que cumpriu todas as suas responsabilidades.

Em conferência de imprensa após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, em Viseu, Luís Monte-negro disse lamentar que possa ter sido criada “alguma percepção” de que o acompanhamento dos incêndios, por parte do Governo, “não era tão próximo, tão intenso e tão profundo”, considerando-a injusta.

“Mas reconheço que possa ter contribuído para que isso tenha acontecido. Não me custa dizê-lo, porque tenho a consciência de que cumpri todas as responsabilidades com os meus colegas do Governo, mas que aqui ou ali é preciso que esse cumprimento tenha também uma percepção mais concreta por parte das pessoas”, frisou.

O chefe do Executivo garantiu contudo aos portugueses que o Governo tem “uma enorme sensibilidade para o sofrimento que é enfrentar chamas com intensidade e em condições de absoluta desigualdade”, frisando que tem, pessoalmente, consciência de que isso afecta não só quem tem “as chamas perto de si”, mas também quem “antecipa a possibilidade disso lhes vir a acontecer”.

“Até posso, nesta ocasião, confidenciar que sei, por experiência própria – porque, como sabem, também tenho raízes rurais –, [o que é] viver e conviver com esse drama e de saber muito bem o que é a aflição que, em cada momento, significa ter de ultrapassar a situação”, disse.

Luís Montenegro referiu que “só quem não conhece o país e o fenómeno dos incêndios é que pode pensar que é possível estar em todo o lado, a todo o tempo, e antecipar a ocorrência e a propagação rápida de todos os incêndios”.

45 medidas para responder aos incêndios

O primeiro-ministro anunciou, entretanto, que o Governo aprovou um plano de protecção para as florestas e 45 medidas de resposta, que espera ver cobertas por financiamento europeu. 

“O país está transtornado”, disse Luís Montenegro, na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, na qual afirmou que “nunca menosprezou” uma situação em que “nem tudo correu, nem corre, bem”.

O chefe do Governo revelou a aprovação de um plano de intervenção para as florestas 2025-2050, um documento que apresentou em Março, e que irá agora ser remetido à Assembleia da República.