Tragédia de Alcafache. Pior acidente ferroviário do país aconteceu há 40 anos
Há 40 anos, a 11 de Setembro de 1985, ocorreu o pior acidente ferroviário de Portugal, em Alcafache, Mangualde. O número exacto de vítimas continua incerto, mas estima-se que tenham morrido mais de 100 pessoas.
O desastre deu-se às 18h37, quando dois comboios — o Sud-Express, com cerca de 400 passageiros, e um comboio regional — colidiram no apeadeiro de Moimenta-Alcafache, na Linha da Beira Alta. A violência do choque destruiu locomotivas e carruagens, provocando incêndios alimentados por combustível dos sistemas de aquecimento.
Devido à inflamabilidade dos materiais usados nas carruagens, o fogo alastrou rapidamente, gerando fumo intenso. Muitos passageiros morreram presos nos destroços, vítimas das chamas ou por asfixia, apesar de tentativas de resgate por outros sobreviventes.
A colisão resultou de uma cadeia de enganos. O Sud-Express, atrasado, partiu do Porto às 15h57. Às 16h55, saiu da Guarda o comboio regional rumo a Coimbra. Ambos partilhavam um troço de via única na Linha da Beira Alta.
Apesar do atraso do comboio internacional, o regional não aguardou em Mangualde, como deveria. Sem comunicações eficazes entre os comboios em andamento, a colisão frontal tornou-se inevitável. O embate ocorreu numa zona florestal, com descarrilamento e destruição em larga escala.
As operações de socorro envolveram bombeiros, militares e a Força Aérea. Os hospitais da região ficaram sobrelotados e muitas vítimas graves foram transferidas para o Porto e Coimbra.
O Presidente da República, Ramalho Eanes, visitou o local nessa noite e pediu explicações claras ao país. As imagens do desastre foram divulgadas logo na madrugada seguinte, impulsionando uma onda de solidariedade.
O primeiro-ministro Mário Soares ordenou um inquérito. A investigação concluiu tratar-se de erro humano, por falha na comunicação do atraso do Sud-Express. No entanto, após quatro anos de julgamento, os arguidos foram absolvidos por falta de provas concretas, numa altura em que não havia registos escritos ou digitais fiáveis.

