DESTAQUE | Filha de emigrantes portugueses faz parte do Comité Escolar de Springfield, NJ

Por HENRIQUE MANO | Springfield, NJ

driana Cardoso Silva cumpre atualmente o primeiro mandato como um dos nove membros do Comité Escolar do município de Springfield, em New Jersey, órgão responsável pela supervisão do sistema público de ensino local, que gere um orçamento anual de cerca de 52 milhões de dólares. De origem portuguesa, é um dos dois luso-americanos naquele organismo e deverá recandidatar-se a um 2.º mandato nas próximas eleições.

Filha de emigrantes da região de Aveiro, Adriana sublinha com orgulho as suas raízes em entrevista exclusiva ao jornal LUSO-AMERICANO: “Os meus pais são da Gafanha da Encarnação e da Gafanha da Nazaré. Emigraram para New Jersey em 1977. O primeiro lugar onde viveram foi Newark”, recorda. A ligação da família à emigração é ainda mais antiga: “Antes deles, os meus avós já tinham vindo para os Estados Unidos. Foram os primeiros da nossa família, do lado da minha mãe, a emigrar”.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Adriana Cardoso Silva junto a um dos edifícios escolares de S Springfield, NJ

A atual responsável educativa cresceu no Ironbound, onde frequentou a Oliver Street School e mais tarde a East Side High School. Foi ainda durante o ensino secundário que começou a definir o seu percurso profissional.
“Quando estava na East Side High School, decidi seguir um diploma na área de negócios. Desde cedo sabia que queria fazer algo ligado ao mundo empresarial e corporativo”, explica.

Apesar de não ter ingressado imediatamente na universidade, iniciou cedo a sua carreira. “Comecei a trabalhar numa empresa que hoje é conhecida como WebMD”, conta. Nessa fase, especializou-se na área da logística e transporte internacional.
“Acabei por trabalhar cerca de 15 anos no setor da logística em New Jersey, ligada sobretudo à indústria mineira em África”.

O encerramento da empresa onde trabalhava, por volta de 2018-2019, levou-a a mudar de área profissional. “Tive a oportunidade de permanecer na empresa, mas no setor jurídico. Foi assim que passei a trabalhar em compliance de seguros e gestão de risco”, explica.

A entrada na política educativa local surgiu mais tarde, motivada pela experiência familiar com o sistema escolar. “Decidi candidatar-me ao Board of Education porque os meus dois filhos frequentavam as escolas públicas de Springfield”, recorda. A sua participação num grupo de pais dedicado à defesa de alunos com necessidades especiais foi determinante. “A minha filha mais velha recebia serviços de educação especial e, através desse grupo de pais, comecei a aprender muito mais sobre essa área”, explica. “Foi isso que me levou a querer perceber melhor como funcionam as escolas por dentro”.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Adriana Cardoso Silva e Luis Henriques – os dois membros de origem lusa do Comité escolar local

A primeira tentativa eleitoral ocorreu em 2022. “Da primeira vez que concorri não ganhei por muito pouco, mas isso fez-me decidir tentar novamente”, relata. Na eleição seguinte, o resultado foi diferente “e fiquei em primeiro lugar”.

O Comité Escolar de Springfield é composto por nove membros e desempenha funções estratégicas na gestão do sistema educativo local. “Somos responsáveis por contratar o superintendente e garantir que ele está a gerir bem as escolas”, explica Adriana Cardoso Silva. Grande parte das decisões passa por recomendações da direção executiva do sistema educativo: “Tudo acaba por chegar ao conselho através do superintendente, embora nós possamos fazer perguntas e dar opiniões”.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Adriana Cardoso Silva enveredou pela carreira de serviço pública em parte graças a circunstâncias da sua vida pessoal

Para si, o funcionamento eficaz do órgão depende da cooperação entre os seus membros. “É muito importante manter relações abertas entre os membros do conselho e garantir transparência entre o superintendente e o board”, afirma. Reconhece que o primeiro ano foi um período de adaptação: “O primeiro ano é sempre um pouco difícil porque estamos a conhecer as pessoas e o funcionamento de tudo”. Ainda assim, acredita que o grupo se tornou mais coeso: “Agora, no segundo ano, conseguimos trabalhar de forma mais coordenada e gosto da direção que as escolas estão a seguir em termos de currículo”.

O sistema escolar de Springfield integra cinco estabelecimentos de ensino, desde o pré-escolar até ao 12.º ano, servindo cerca de 2 mil alunos. Adriana considera que há progressos visíveis, mas também desafios a enfrentar. “Em termos gerais, gosto da evolução do currículo, mas penso que na área da educação especial ainda existem melhorias que podem ser feitas”