DESTAQUE | Filigrana portuguesa à conquista da América
• Por HENRIQUE MANO | Nova Iorque
Entre vitrinas de luxo e o movimento incessante de Manhattan, a delicadeza da filigrana portuguesa encontrou esta semana um novo palco de prestígio em Nova Iorque. O grupo O Valor do Tempo, liderado pelo empresário António Quaresma, desenvolveu uma parceria com os armazéns de luxo Printemps, onde esteve patente uma mostra-venda de filigrana certificada portuguesa com mais de uma centena de peças, avaliadas entre os 300 e os 160 mil dólares.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Fachada dos armazéns “Printemps”, em Nova Iorque
A exposição incluiu criações únicas e históricas, entre elas a primeira peça de filigrana executada em platina, num claro sinal da capacidade de inovação de uma arte ancestral que continua a reinventar-se sem perder identidade.
Mas, mais do que uma montra de joias, a iniciativa pretendeu afirmar a própria filigrana portuguesa como património artístico e cultural de dimensão internacional. “É trazer a arte da filigrana ao patamar mais elevado, que é Nova Iorque”, afirma António Quaresma, em declarações exclusivas ao jornal LUSO-AMERICANO. “Não propriamente a marca da joalharia mas a marca da filigrana portuguesa, porque é isso que nós queremos comunicar daqui para a frente. Essa é a marca institucional que nos serve a todos, a todos os artesãos portugueses que a trabalham e não apenas uma marca comercial”.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | As peças expostas no “Printemps”
O empreendedor, natural de Seia, recorda ainda a importância das casas históricas portuguesas na valorização do saber-fazer nacional. A histórica Joalharia do Carmo, situada na Rua do Carmo, no Chiado, foi inaugurada em 1924 e integra actualmente sete lojas em Portugal. “As marcas históricas, neste momento, são fundamentais para promover aquilo que há de bom na arte portuguesa”, sublinha.
Um dos rostos mais inspiradores daquela iniciativa portuguesa em Nova Iorque foi o de Filipa Coelho, jovem artesã de Valongo, com apenas 20 anos, que participou ao vivo na demonstração da arte da filigrana perante o público norte-americano.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Filipa Coelho com algumas das peças da Joalharia do Carmo que estiveram em Manhattan
Ao lado do mestre José Adelino Soares, com 35 anos de experiência no setor, Filipa representa uma nova geração determinada em garantir continuidade a uma tradição secular profundamente ligada ao norte de Portugal.
O percurso da jovem artesã não foi linear. Estudou na Escola Soares dos Reis, no Porto, onde despertou para o universo da ourivesaria, apesar de ter escolhido cerâmica no 12.º ano. Passou ainda pela faculdade em Viana do Castelo e chegou mesmo a candidatar-se ao Exército, antes de descobrir o verdadeiro caminho na CINDOR (Centro de Formação Profissional da Indústria de Ourivesaria e Relojoaria), em Gondomar, escola de referência na formação de joalharia. “Experimentei e ficou sempre aquele bichinho”, recorda.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Os artesãos portugueses na demonstração de filigrana em Nova Iorque
Após concluir o curso de nove meses em ourivesaria, ingressou na fábrica J. Soares, em Gondomar (um dos grandes centros nacionais da filigrana), onde se especializou como “enchedeira”, a técnica minuciosa responsável pelo delicado preenchimento dos desenhos em fio de ouro ou prata.
“É muito gratificante entrar, por exemplo, numa loja da Joalharia do Carmo e ver lá as peças em que trabalhei expostas à venda”, conta Filipa. “Cada uma de nós, enchedeiras, tem um enchimento diferente. Mesmo apesar de termos um ponto muito parecido, conseguimos distinguir quem trabalhou cada peça”.
A jovem acredita que a filigrana exige um equilíbrio raro entre rigor técnico e expressão artística. “No fundo, é 50% técnica e 50% criatividade”, afirma.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | António Quaresma, do Grupo O Valor do Tempo, à entrada do “Printemps” em Nova Iorque
Questionada sobre a responsabilidade de pertencer à geração que dará continuidade a esta tradição milenar, responde sem hesitação: “Sim, sim”.
A experiência em Nova Iorque, a sua primeira viagem aos Estados Unidos, foi marcante. “É uma experiência muito diferente, é tudo muito novo, uma cidade completamente diferente”.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Coração de Portugal em filigrana
Também presente em Nova Iorque, Bárbara Sousa, directora da Joalharia do Carmo, considerou que esta iniciativa representou um momento importante para a divulgação internacional da filigrana portuguesa. “Divulgar uma arte milenar junto do público norte-americano. Nós geralmente estamos habituados a fazer a viagem inversa (os americanos virem até nós e visitarem-nos no contexto português). Aqui somos nós que nos predispomos a trazer a filigrana portuguesa até Nova Iorque, um passo gigante”.
Na sua óptica, a presença num dos espaços comerciais mais prestigiados de Manhattan tem também um forte valor simbólico. “É trazer um bocadinho de Portugal a um espaço tão nobre no coração de Manhattan”.
A responsável faz ainda questão de destacar o papel central dos artesãos no sucesso desta tradição. “Nós não nos apropriamos da intelectualidade de cada artesão mas sim damos-lhes palco, como fizemos com esta vinda aos Estados Unidos, mais uma montra ao trabalho dos artesãos”.
Um dos rostos mais inspiradores desta presença portuguesa em Nova Iorque é o de Filipa Coelho, jovem artesã de Valongo, com apenas 20 anos, que participa ao vivo na demonstração da arte da filigrana perante o público norte-americano.
Ao lado do mestre José Adelino Soares, com 35 anos de experiência no setor, Filipa representa uma nova geração determinada em garantir continuidade a uma tradição secular profundamente ligada ao norte de Portugal.
O percurso da jovem artesã não foi linear. Estudou na Escola Soares dos Reis, no Porto, onde despertou para o universo da ourivesaria, apesar de ter escolhido cerâmica no 12.º ano. Passou ainda pela faculdade em Viana do Castelo e chegou mesmo a candidatar-se ao Exército, antes de descobrir o verdadeiro caminho na CINDOR (Centro de Formação Profissional da Indústria de Ourivesaria e Relojoaria), em Gondomar, escola de referência na formação de joalharia. “Experimentei e ficou sempre aquele bichinho”, recorda.
Após concluir o curso de nove meses em ourivesaria, ingressou na fábrica J. Soares, em Gondomar (um dos grandes centros nacionais da filigrana), onde se especializou como “enchedeira”, a técnica minuciosa responsável pelo delicado preenchimento dos desenhos em fio de ouro ou prata.
“É muito gratificante entrar, por exemplo, numa loja da Joalharia do Carmo e ver lá as peças em que trabalhei expostas à venda”, conta Filipa. “Cada uma de nós, enchedeiras, tem um enchimento diferente. Mesmo apesar de termos um ponto muito parecido, conseguimos distinguir quem trabalhou cada peça”.
A jovem acredita que a filigrana exige um equilíbrio raro entre rigor técnico e expressão artística. “No fundo, é 50% técnica e 50% criatividade”, afirma.
Questionada sobre a responsabilidade de pertencer à geração que dará continuidade a esta tradição milenar, responde sem hesitação: “Sim, sim”.
A experiência em Nova Iorque, a sua primeira viagem aos Estados Unidos, tem sido marcante. “Tem corrido muito bem. É uma experiência muito diferente, é tudo muito novo, uma cidade completamente diferente”.
Também presente em Nova Iorque, Bárbara Sousa, directora da Joalharia do Carmo, considera que esta iniciativa representa um momento importante para a divulgação internacional da filigrana portuguesa. “Divulgar uma arte milenar junto do público norte-americano. Nós geralmente estamos habituados a fazer a viagem inversa (os americanos virem até nós e visitarem-nos no contexto português). Aqui somos nós que nos predispomos a trazer a filigrana portuguesa até Nova Iorque, um passo gigante”.
Na sua óptica, esta presença num dos espaços comerciais mais prestigiados de Manhattan tem também um forte valor simbólico. “É trazer um bocadinho de Portugal a um espaço tão nobre no coração de Manhattan”.
A responsável faz ainda questão de destacar o papel central dos artesãos no sucesso desta tradição. “Nós não nos apropriamos da intelectualidade de cada artesão mas sim damos-lhes palco, como fizemos com esta vinda aos Estados Unidos, mais uma montra ao trabalho dos artesãos”.

