MÉDIO ORIENTE | Delegação do Hamas chega ao Cairo para negociar trégua em Gaza

Uma delegação do movimento islamita Hamas chegou terça-feira ao Cairo para retomar as negociações sobre a segunda fase do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza.

“A delegação tem previsto reunir-se com responsáveis e mediadores egípcios para finalizar a implementação do acordo de cessar-fogo”, refere o comunicado.

A delegação é encabeçada pelo líder do Hamas na Cisjordânia, Zaher Yabarín, em substituição de Jalil al Haya que liderava o processo negocial até então.

O assessor de comunicação do Hamas, Taher al Nono, afirmou em comunicado que a prioridade da delegação é travar “a escalada das violações israelitas do cessar-fogo em Gaza”, com ataques diários do exército contra a população.

O grupo procura também garantir o acesso de todos os bens necessários à Faixa de Gaza, cuja entrada depende do controlo israelita nos postos fronteiriços deste território palestiniano.

Entre esses bens destacam-se “materiais para a reconstrução de hospitais, padarias e infraestruturas”, continuou no comunicado.

As conversações abordarão também a mobilização do Comité Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), composto por 15 tecnocratas palestinianos, grupo esse que ainda não conseguiu aceder ao enclave desde o início da trégua, em outubro do ano passado.

O CNAG, composto para supervisionar a situação do pós-guerra no enclave palestiniano, vai exercer as suas funções em colaboração com o Conselho de Paz de Gaza, criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

A par da mobilização do CNAG, serão discutidas as condições de acesso das forças de proteção internacionais e, “em última instância”, a retirada total do exército israelita da Faixa de Gaza.

“Estamos determinados a chegar a um acordo que ponha fim ao sofrimento do nosso povo, trave os crimes da ocupação e permita avanços na restauração dos direitos políticos do nosso povo, principalmente a liberdade e a criação de um Estado palestiniano independente”, afirmou Al Nono, segundo o comunicado.

O Hamas rejeitou na segunda-feira, de forma parcial, a proposta do representante da Conselho de Paz de Gaza, Nikolay Mladenov, e garantiu que apresentaria terça-feira uma resposta ao seu projeto.

Os Estados Unidos declararam formalmente em janeiro a entrada em vigor da segunda fase do acordo, que deveria incluir a desmilitarização do Hamas, a criação de uma força internacional de estabilização e a entrada do comité tecnocrático palestiniano para governar a Faixa de Gaza.

No entanto, vários pontos da primeira fase encontram-se, na prática, completamente bloqueados, uma vez que o grupo continua a recusar-se a cumprir o ponto relacionado com o desarmamento – principal exigência israelita – e exige que Israel permita a entrada em Gaza do comité técnico para administrar a Faixa, algo que ainda não fez.

O CNAG é liderado pelo engenheiro Ali Shaaz, natural de Khan Yunis (sul da Faixa de Gaza), mas residente na Cisjordânia, que exerceu funções de vice-ministro dos Transportes na década de 1990 na Autoridade Nacional Palestiniana (ANP).

Um conjunto de organismos anunciados pela administração Trump, incluindo o Conselho de Paz, ficará encarregado de gerir a Faixa de Gaza na segunda fase do cessar-fogo.

O organismo foi criado no âmbito do plano de 20 pontos apoiado por Washington para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, que começou após o ataque sem precedentes do movimento extremista palestiniano Hamas e outras fações contra Israel, em 7 de outubro de 2023, desencadeando uma ofensiva israelita que se prolongou até 10 de outubro de 2025, quando entrou em vigor uma trégua.

Mais de 73.000 pessoas morreram e 173.273 ficaram feridas em ataques israelitas desde o início da guerra de Gaza, em outubro de 2023, desencadeada pelos ataques do Hamas em Israel, em que foram assassinadas 1.200 pessoas e raptadas mais de duas centenas.