APRENDEU A GATINHAR NO RANCHO E TRAZ O FOLCLORE NO CORAÇÃO

HENRIQUE MANO | Jornal LUSO-AMERICANO

Talvez Danny seguro deva a vida ao folclore. Explique-se: é que seus pais, António e Linda Seguro, conheceram-se no Rancho Folclórico do Clube Português de Hartford, estado de Connecticut. E, enquanto dançavam e cantavam, também se apaixonaram, casaram e constituíram família. Um dos filhos é precisamente Danny – um produto dessa união que o amor ao folclore português ajudou a florescer.

Mais de quatro década depois, o luso-americano Danny seguro carrega nos ombros a responsabilidade de manter activa esta que é a formação folclórica portuguesa mais antiga na Nova Inglaterra – com cerca de meio século de vida. Ensaiador vai já uma década, diz que lhe cabe ser um continuador tanto do pai – que já ocupou a mesma posição – como de todos os que fundaram o rancho e o trouxeram até aos nossos dias.

“Tinha 4 anos quando comecei a dançar como elemento infantil”, conta Danny Seguro, na entrevista que concedeu em Hartford ao jornal LUSO-AMERICANO. “É o seguir de uma tradição de família, pois nem sei dizer quantos elementos Seguro já passaram ou fazem ainda parte do rancho”.

Danny nasceu em Hartford, CT. O pai, António, é de São Bento, Porto de Mós e a mãe, Linda, oriunda de Valemaior, hoje Albergaria-a-Velha; cresceu entre Hartford e Newington, onde, aliás, fez o liceu. Após um ano de colégio, opta por seguir o ofício de electricista, apesar de hoje estar entregue à gestão de propriedades.

Quando lhe perguntamos sobre o que motiva esta entrega ao folclore, Dennis Seguro não contém emoções; lembra-se que o rancho fará em Março um ano de actividade interrompida pela COVID e que desde o Natal de 2017 que o Clube Português, ao qual o grupo está ancorado, encerrou devido a um incêndio. E vêm-lhe, naturalmente, as lágrimas aos olhos…

“É uma dedicação profunda, da alma, é o meu amor ao folclore, às tradições de família, que sinto ter de perpetuar para as gerações vindouras”, diz. “Se depender de mim, o rancho nunca deixará de existir, porque dentro de todos nós que o compomos está também o nosso amor ao Clube, à comunidade e a tudo o que representa esta nossa cultura comum”.

Acrescenta Seguro: “Os nossos pais e avós emigraram à procura de uma vida melhor para todos os seus, mas nunca se esqueceram das suas tradições, das suas origens e cultura – que, aliás, souberam transmitir-nos. Agora cabe-nos a nós dar continuidade a esse sentimento”.

O rancho, para Danny, é “mais que uma família. Somos um núcleo de amigos que já nos conhecemos há 40 anos, que passámos pelo rancho, pelo clube, pela igreja… Enfim, somos o retrato da comunidade. A nossa geração já é um produto da América, um país que amamos, mas sem esquecer de onde viemos”.

Prova disso é a filha Emily, de 13 anos. Praticamente nasceu no seio do rancho e dança desde os 8. “Adoro fazer parte do rancho, faz-me sentir mais completa”, diz a jovem, que frequenta a escola preparatória em Newington.

A Emily já esteve três vezes em Portugal e pensa vir a ser professora – “se entretanto não mudar de ideias”, nota.

Danny está casado com a também luso-americana Teresa Seguro e o casal tem ainda outra filha, Abby.

O rancho do Clube Português de Hartford tem um longo historial, com passagens por Portugal (em 1985), Canadá, Bermudas e praticamente todos os estados norte-americanos da Costa Leste com presença lusa. “O nosso sonho é irmos um dia actuar ao Havaí, mas por enquanto não passa disso mesmo…”.

Danny Seguro está ciente dos obstáculos que a situação de pandemia veio impor aos ranchos portugueses na América. “Vivemos da proximidade, do calor humano, do toque de mãos e podemos até tentar dançar de máscara, mas sem isso é impossível transmitir o que representa o folclore”, opina.

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