Benfica arranca vitória épica em Arouca no último sopro do relógio
Ivanovic veste a pele de herói aos 90+6 minutos e permite às “águias” igualar o Sporting no segundo lugar, numa reviravolta suada sem José Mourinho no banco.
O Estádio Municipal de Arouca foi o cenário de um dos desfechos mais dramáticos e emotivos da presente edição da Liga Portugal. Num encontro que testou os limites cardíacos dos adeptos encarnados, o SL Benfica conseguiu uma reviravolta hercúlea, batendo a equipa da casa por 2-1 com um golo decisivo apontado já no período de compensação, aos 90+6 minutos. Esta vitória, arrancada a ferros, assume uma importância estratégica vital, permitindo às “águias” igualar provisoriamente o Spor-ting no segundo lugar da tabela classificativa e manter viva a chama da perseguição ao líder isolado, o FC Porto, que continua a dar poucos sinais de vacilo na frente do campeonato.
A partida ficou marcada, desde logo, por uma contrariedade de vulto para o emblema da Luz: a ausência de José Mourinho no banco de suplentes. O técnico setubalense, a cumprir castigo após os incidentes no último dérbi, viu-se obrigado a acompanhar o jogo a partir da bancadas, deixando a orientação direta da equipa entregue à sua equipa técnica.
O Arouca, sob a batuta de um sistema defensivo muito bem oleado, não tardou a aproveitar. Logo aos sete minutos, uma abordagem defensiva im-prudente dentro da área resultou numa grande penalidade inequívoca a favor da equipa da casa. Barbero, chamado a converter, demonstrou uma frieza gélida e não desperdiçou a oportunidade de colocar os visitados em vantagem. O golo madrugador gelou a numerosa falange de apoio benfiquista que viajou até à Serra da Freita, antevendo uma tarde de grandes dificuldades. Durante toda a primeira metade, o Benfica revelou-se uma equipa previsível, com dificuldades em ligar o seu jogo interior e em quebrar as linhas compactas de um Arouca que fechava todos os caminhos para a sua baliza.
O Benfica regressou para o segundo tempo com uma agressividade renovada na pressão alta e uma circulação de bola mais veloz. A recompensa não tardou: aos 51 minutos, Richard Ríos, num momento de inspiração individual, desferiu um remate potente e colocado de fora da área, restabelecendo a igualdade no marcador. O golo do colombiano injetou uma nova alma na equipa, que passou a dominar por completo as operações, encostando o Arouca às cordas num autêntico monólogo ofensivo.
Quando o empate parecia ser inevitável desta contenda, surgiu o momento de glória. No último fôlego da compensação, aos 90+6 minutos, após um cruzamento tenso e uma confusão na pequena área, Ivanovic foi o mais lesto a reagir, aproveitando uma bola perdida para fuzilar as redes adversárias. A explosão de alegria no relvado e nas bancadas foi o corolário de uma exibição de crença absoluta. Com estes três pontos de ouro, o Benfica soma agora 62 pontos, enquanto o Arouca, apesar da boa réplica, averba a terceira derrota consecutiva e mantém o 11.º lugar na classificação geral.

