CALIFORNIA | Carnaval une comunidades portuguesas em Artesia e Chino
Doze grupos carnavalescos percorreram o estado da Califórnia, desde a área da baía de São Francisco até à grande região de Los Angeles, com especial destaque para as cidades de Artesia e Chino. As actuações decorreram ao longo de dois dias, uma vez que o elevado número de participantes tornou impossível concentrar todas as apresentações num único momento.
Vindos de vários pontos do estado, nomeadamente de São José, do Vale de São Joaquim, de Turlock, Tulare e Hilmar, os grupos demonstraram a vitalidade da tradição carnavalesca portuguesa na Califórnia. Entre os participantes estiveram os Aventureiros do Carnaval da Banda Portuguesa de São José, composto por crianças, vários núcleos do Grupo Carnavalesco de Tulare – incluindo senhoras, jovens e crianças -, o Grupo Açoreano de Tulare, o Grupo de Jovens da Casa dos Açores de Hilmar, o Bailinho D’Eles da Califórnia, o Grupo de Carnaval Amigos de Turlock, o Carnaval Sem Fronteiras e ainda o grupo “Em Casa É Que A Gente Não Fica”.
Tulare destacou-se como a localidade com maior representação, através de duas sociedades que, ano após ano, apresentam cinco ou seis grupos carnavalescos. Grande parte dos dançarinos, músicos e apresentadores pertence já à terceira geração de lusodescendentes, mantendo viva uma tradição herdada dos seus antepassados açorianos. Ainda assim, continuam a participar alguns emigrantes açorianos, reforçando o elo entre as origens e as novas gerações.
A participação dos jovens foi particularmente notória. Muitos aprendem e praticam a língua portuguesa através das danças, uma vez que as canções e os respectivos papéis são interpretados obrigatoriamente em português. Em Tulare, o ensino da língua portuguesa no liceu constitui uma mais-valia, permitindo que vários alunos escolham esta disciplina para cumprir os requisitos de graduação definidos pelo Departamento de Educação da Califórnia. Alguns dos dançarinos afirmaram mesmo que o seu domínio da língua melhorou significativamente graças à aprendizagem escolar.
O ambiente familiar foi outra das marcas deste Carnaval. Em palco, foi possível ver primos a contracenarem na mesma dança, pais e filhos, casais e até famílias completas, como aconteceu no grupo Carnaval Sem Fronteiras. Dois dos grupos integraram elementos oriundos de diferentes cidades, separados por mais de 70 milhas, evidenciando o empenho e a dedicação dos participantes.
O grupo infantil Aventureiros do Carnaval da Banda Portuguesa de São José reuniu crianças entre os cinco e os 14 anos. Já o Grupo de Jovens da Casa dos Açores de Hilmar destacou-se por ser o primeiro grupo carnavalesco da Califórnia em que os próprios jovens tocaram os seus instrumentos ao vivo no palco, após apenas três meses de aprendizagem, segundo revelou o ensaiador.
Kevin Coelho, do grupo Carnaval Sem Fronteiras, explicou o espírito que move os participantes: “Não somos pagos, temos despesas, mas adoramos o que fazemos. É o amor à camisola. O nosso grupo tem ainda mais valor porque estamos espalhados por longas distâncias e juntámos-nos nesta época para celebrar o Carnaval. Fazemo-lo com alegria, música, dança e um pingo de humor. Depois espalhamos essa alegria por toda a Califórnia.”
As celebrações prolongaram-se pela segunda e terça-feira, com novas actuações em várias comunidades do Vale de São Joaquim, num claro testemunho de que a tradição carnavalesca portuguesa continua bem viva em terras californianas.

