Chefe da diplomacia alemã desvaloriza risco de anexação da Gronelândia pelos EUA

O chefe da diplomacia da Alemanha minimizou o risco de um ataque dos Estados Unidos à Gronelândia, após ameaças do Presidente norte-americano de tomar o território controlado pela Dinamarca, aliada dos EUA na NATO.

“Não tenho qualquer indicação de que isso esteja a ser seriamente considerado” por Washington, disse, na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, sobre uma possível anexação da Gronelândia pela força.

“Acredito, no entanto, que existe um interesse comum em abordar as questões de segurança na região do Ártico, e que devemos e iremos fazê-lo”, disse Johann Wadephul aos jornalistas em Washington.

“A NATO está agora a desenvolver planos mais concretos sobre este assunto, que serão discutidos em conjunto com os nossos parceiros norte-americanos”, acrescentou Wadephul, após um encontro com Marco Rubio.

A visita do ministro alemão à capital dos EUA acontece antes de uma reunião prevista para esta semana entre o secretário de Estado norte-americano e responsáveis dinamarqueses e groenlandeses.

O Presidente norte-americano afirmou no domingo que os Estados Unidos iriam tomar a Gronelândia “de uma forma ou de outra”, esclarecendo que não se referia a um arrendamento de curto prazo, mas à aquisição do território.

Trump encara uma anexação como a forma de os EUA garantirem a segurança do país contra a China e a Rússia, e acredita que a Dinamarca negligenciou a Gronelândia e a defesa do território autónomo.

Face às ameaças norte-americanas, a NATO e a Gronelândia anunciaram na segunda-feira a intenção de trabalhar em conjunto para reforçar as defesas do território.

A anexação significaria o fim da Aliança Atlântica, alertou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, no início de Janeiro.

A vasta ilha ártica, com  57 mil habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, e é considerada uma localização estratégica.

Os Estados Unidos têm uma base militar na Gronelândia, onde chegaram a ter mais de dez instalações militares, durante a Guerra Fria.