DESTAQUE | Lançamento de sucesso de seis satélites portugueses foi realizado em base na Califórnia
Seis satélites portugueses foram lançados com sucesso, para o espaço, a partir dos Estados Unidos, num momento que foi transmitido em direto esta segunda-feira, dia 30 de março, no Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, em Lisboa, e acompanhado com entusiasmo por dezenas de pessoas.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, foi um daqueles que acompanhou de perto o momento, considerando o dia como o “mais marcante” para a presença de Portugal no espaço, mas considerando-o “apenas o início”.
“Atrás destes satélites irão outros ainda este ano e vamos ter o nosso próprio lançador nos Açores”, sublinhou.

Os seis satélites foram lançados às 12:02 (hora local portuguesa) na base de Vandenberg, na Califórnia, Estados Unidos, no âmbito da Agenda New Space Portugal, a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX.
“Todos nos lembramos quando olhávamos para os países que tinham ousadia de chegar ao espaço. Eram só os grandes países, muito ricos, e Portugal punha-se totalmente fora dessa situação. Hoje, Portugal é um parceiro ativo e quer estar na primeira linha do convívio com o espaço”, sublinhou o governante.
O ministro destacou ainda a capacidade de duplo uso, em particular da Constelação do Atlântico, defendendo que deve ser precisamente essa a aposta da Europa.
“E Portugal está a ter uma parte determinante, ativa, liderante mesmo, nesse processo de reforço das capacidades de uso militar da Europa”, acrescentou Manuel Castro Almeida, falando numa “era nova na ligação de Portugal com espaço”.
Questionado se o aumento da despesa com Defesa passa também pelo investimento nessa ligação de Portugal ao espaço, o ministro da Economia sublinhou que o investimento do país no setor militar “não é para comprar armamento”.
“Queremos participar no reforço das capacidades militares da Europa e isto é uma forma de o fazer, portanto, as despesas de natureza militar que estamos a fazer na chegada ao espaço vão, evidentemente, contar no conjunto das despesas militares de Portugal”, explicou.

Quatro dos satélites – Camões, Agustina, Pessoa e Saramago, nomeados em homenagem aos escritores portugueses – juntam-se ao primeiro, lançado em janeiro de 2025, da Constelação Lusíada, que vai permitir criar um serviço de navegação marítima.
O objetivo é criar um serviço para dar informação aos navios em tempo real, uma espécie de “Waze dos oceanos”, segundo o diretor executivo da LusoSpace, Ivo Vieira, com disponibilização de informações como alertas de piratas, meteorologia, pessoas que estão a precisar de apoio, ‘icebergs’ à deriva, derrames de petróleo e muito mais.
A bordo do Falcon 9, seguiram também outros dois satélites, que fazem parte da Constelação do Atlântico: um satélite SAR (Radar de Abertura Sintética em português) da Força Aérea, e um satélite ótico (VHRLight NexGen) da responsabilidade do CEiiA e da N3O.
Os dois satélites juntam-se aos outros três já em órbita da Constelação do Atlântico, reforçando uma “capacidade de duplo uso que vai servir Portugal e a Europa”, sublinhou o diretor da New Space Portugal, Emir Sirage, o consórcio que financia, através do Plano de Recuperação e Resiliência, o conjunto das constelações.
Aos oito minutos e 38 segundos após o lançamento, o primeiro segmento do foguetão regressou à Terra e pousou numa plataforma marítima e a missão foi considerada um sucesso, motivando novos aplausos efusivos, enquanto o segundo segmento, que transporta os satélites, prossegue a sua missão, a mais de 28 mil quilómetros por hora.


