EUA pedem “abordagem equilibrada” nas leis digitais para baixar tarifas no aço

O Secretário do Comércio norte-americano pediu segunda-feira uma “abordagem equilibrada” à União Europeia (UE) relactivamente à regulação do digital, dadas as leis comunitárias que abrangem tecnológicas norte-americanas, admitindo que só assim baixam tarifas ao aço e alumínio.

“A nossa sugestão é que a União Europeia e os ministros do Comércio considerem seriamente analisar as suas regras digitais, tentem alcançar um equilíbrio – não eliminá-las -, mas encontrar uma abordagem equilibrada que funcione para nós”, disse o Secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick, falando à imprensa em Bruxelas.

No dia em que este responsável e o Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, estão em Bruxelas para se reunirem com ministros europeus da tutela e com a indústria comunitária, Howard Lutnick acrescentou: “Se conseguirem chegar a essa abordagem equilibrada, o que acredito ser possível, então nós, em conjunto, resolveremos as questões do aço e do alumínio e avançaremos nisso em conjunto”.

“Portanto, essa opção está em cima da mesa, tudo está em cima da mesa, mas penso que essas duas coisas são as mais importantes para o futuro: o comércio digital e encontrar esse equilíbrio irão gerar muito investimento na Europa e, neste momento, a Europa está a perder esse investimento”, adiantou.

Howard Lutnick relatou ainda os “biliões e biliões em investimento” das tecnológicas norte-americanas, falando numa “oportunidade” para a UE, caso chegue a um “conjunto equilibrado de regras digitais”.

Já questionado depois sobre tais declarações, o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, garantiu que esta legislação comunitária “não é uma discriminação”.

“Não visa as empresas americanas e penso que simplesmente precisamos de dar mais explicações a esse respeito. Tenho a certeza de que os meus colegas e eu nos empenharemos nesse processo”, adiantou.

Os Estados Unidos têm mostrado forte oposição às recentes leis digitais da União Europeia – como a Lei dos Serviços Digitais e a Lei dos Mercados Digitais -, argumentando que representam barreiras não tarifárias que penalizam as suas ‘gigantes’ tecnológicas.

Washington tenta usar essa crítica como moeda de troca nas negociações comerciais com Bruxelas, exigindo influência no regulador digital europeu.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mantêm as tarifas sobre o aço e o alumínio importados da UE como forma de pressão comercial.