EUA | Rússia alerta para “efeito dominó” se norte-americanos retomarem testes nucleares

A Rússia alertou hoje para um perigoso “efeito dominó” caso os Estados Unidos (EUA) retomem os testes nucleares, na sequência de declarações do Governo norte-americano sobre o possível fim de uma moratória em vigor desde 1992.

Num discurso na Conferência sobre Desarmamento, a decorrer esta semana em Genebra, Suíça, o embaixador russo Gennady Gatilov afirmou que Moscovo já tinha advertido que a retirada dos Estados Unidos da sua moratória nacional poderia desencadear consequências em cadeia.

“Alertámos que a retirada dos Estados Unidos da sua moratória nacional desencadearia um efeito dominó”, disse Gatilov, acrescentando que “a responsabilidade pelas consequências recairia inteiramente sobre Washington”.

As declarações de Gatilov surgem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado no final de 2025 que Washington se preparava para retomar testes nucleares, alegando a necessidade de agir “em pé de igualdade” face à China e à Rússia.

Na semana passada, o secretário de Estado adjunto para o Controlo de Armas e Não Proliferação, Christopher Yeaw, assegurou que Trump falava a sério ao anunciar essa intenção.

“Como disse o Presidente, os Estados Unidos vão retomar os testes ’em pé de igualdade'”, declarou Yeaw no Hudson Institute, sublinhando que isso não significaria um regresso aos testes atmosféricos de grande escala, como a explosão termonuclear “Ivy Mike” realizada em 1952 no Pacífico.

Antes da conferência, Yeaw reiterou acusações de que a China realizou em 22 de junho de 2020 um teste nuclear subterrâneo de baixo rendimento, estimado em cerca de dez toneladas, com base em dados recolhidos no Cazaquistão.

Um responsável do Departamento de Estado norte-americano, que falou sob anonimato, afirmou ainda que Pequim poderá estar a preparar testes de maior potência e acusou também a Rússia de realizar ensaios secretos de baixo rendimento.

Gatilov avisou que a posição dos Estados Unidos agrava os desafios enfrentados pelo Tratado de Proibição Completa de Ensaios Nucleares (CTBT), instrumento das Nações Unidas destinado a proibir todas as explosões nucleares, mas que ainda não entrou em vigor.

Até ao momento, apenas a França e o Reino Unido, entre os Estados dotados de armas nucleares, ratificaram o tratado.