EXCLUSIVO | Lídia Fernandes, uma agente luso-americana afecta a unidade de. Combate à violência doméstica
• Por HENRIQUE MANO | Elizabeth, NJ
Lídia Fernandes tem 29 anos, nasceu em Newark, no estado norte-americano de New Jersey, e é actualmente agente da Union County Sheriff’s Office. Filha de emigrantes, mantém uma forte ligação a Portugal, país onde nasceu o pai, natural de Valença do Minho, e onde passou grande parte das férias da infância.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | A agente Lídia Fernandes, do Union County Sheriff’s Office, de New Jersey
Há cerca de três anos, após concluir a formação na Academia de Polícia de Scotch Plains, em New Jersey, Lídia ingressou nas forças de segurança do condado de Union, concretizando uma vocação que, segundo conta ao jornal LUSO-AMERICANO, surgiu muito cedo. “Sempre tive interesse pela polícia desde muito nova. Os meus pais eram muito protectores e não me deixavam praticar muitos desportos, mas eu era um pouco rebelde”, recorda, explicando que jogou futebol e integrou o programa NJROTC durante o ensino secundário, experiências que ajudaram a consolidar o desejo de seguir uma carreira ligada ao serviço público.
Hoje, o seu trabalho desenvolve-se numa área particularmente sensível. “Trabalho na unidade de violência familiar, onde executamos ordens de restrição e lidamos com situações de violência doméstica”, explica. Uma função exigente, que requer preparação, empatia e capacidade de intervenção em contextos de grande fragilidade social.
Questionada sobre o facto de esta ser ainda uma profissão maioritariamente masculina, Lídia reconhece que o caminho para a igualdade continua em construção. “Acho que hoje é definitivamente mais fácil. Há um aumento de mulheres no nosso departamento, estão a ser contratadas mais agentes femininas, o que é muito positivo. Ainda é um pouco dominado por homens, mas está a melhorar”.
Fluente em português, Lídia Fernandes sublinha a importância do bilinguismo no exercício das suas funções. “Sim, falo português”, confirma, acrescentando que essa competência é uma mais-valia essencial numa região com uma forte presença de comunidades lusófonas e hispânicas. “É absolutamente importante, sobretudo porque vivemos perto de Elizabeth e muitas pessoas falam português e espanhol. Às vezes, quando estamos numa ocorrência e encontramos alguém que fala português, ficam muito surpreendidos, felizes e mais confortáveis. Apreciam imenso poder comunicar com alguém que conhece a língua”.
A decisão de seguir uma profissão de risco não foi, inicialmente, recebida sem apreensão pela família. “No início ficaram um pouco preocupados, por ser perigoso e por tudo o que se vê nos meios de comunicação social. Mas, no fim de contas, apoiaram-me. Hoje estão orgulhosos e gostam muito de me ver nesta carreira”, afirma.
Com ambição e sentido de futuro, Lídia não esconde o desejo de progredir dentro da hierarquia policial. “Sim, no futuro, cem por cento. Vejo-me a fazer o exame e a subir de posto, a alcançar uma posição mais elevada”, admite.
A ligação a Portugal permanece viva, não apenas através da língua, mas também das memórias familiares. “Já estive em Portugal. É lindíssimo. Os meus avós têm uma casa em Viana do Castelo e, enquanto crescia, passávamos lá todos os Verões. Ver as montanhas, estar naquele ambiente, é muito especial. Ainda tenho família lá”, conclui.

