EXCLUSIVO: LUSO-AMERICANO MATTHEW VENTURA VAI COMPETIR NO IRONMAN PORTUGAL DIA 18 DE OIUTUBRO EM CASCAIS
• Por HENRIQUE MANO | Elizabeth, NJ
No próximo dia 18 de Outubro, Cascais será palco de um dos eventos mais exigentes do mundo do desporto – o IRONMAN Portugal [ https://www.ironman.com/races/im-cascais ]. Entre os atletas em prova, estará Matthew Ventura, um luso-americano de 29 anos, nascido em Elizabeth, New Jersey, e criado em Freehold, NJ. Será a primeira vez a competir em solo português – uma ocasião com um significado muito especial.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Matthew Ventura no parque em Elizabeth, NJ onde tem feito parte do seu treino de preparação para o Ironman Portugal
Matthew é filho de emigrantes portugueses: Joaquim Ventura, natural da Boavista – Serra do Bouro (Caldas da Rainha), e Maria Clara Ventura, da Cidade – Serra do Bouro. Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, as raízes portuguesas estão bem presentes na sua vida. Segundo conta, foi a mãe quem o incentivou a participar no IRONMAN de Cascais, um sonho que acabou por se concretizar este ano:
“A minha mãe dizia-me sempre: ‘Há um em Portugal, há um em Portugal.’ E este ano decidi que era altura de o fazer. Mais vale tarde do que nunca”, afirmou, em entrevista exclusiva ao jornal LUSO-AMERICANO.
O Desafio IRONMAN
O IRONMAN é considerado uma das provas mais duras do desporto de resistência. Organizado maioritariamente pela World Triathlon Corporation (WTC), o evento inclui três modalidades, realizadas consecutivamente e sem pausas: natação (3,8 km), ciclismo (180 km) e corrida (Maratona – 42,2 km).

O trajecto a nado da prova
Com um limite de 17 horas para terminar a prova, cada segundo conta -incluindo as transições entre modalidades. Os atletas testam não só os limites do seu corpo, mas também a sua resiliência mental.
Das finanças ao desporto de alta competição
Apesar de hoje competir em provas de elite, o percurso de Matthew Ventura no desporto começou de forma humilde. Ainda na adolescência, começou a treinar com o primo no ginásio. O verdadeiro ponto de viragem deu-se em 2020, quando viu outro primo, David, participar num IRONMAN 70.3 em Connecticut:
“Nunca tinha corrido antes. Na verdade, não era bom em nada – nem a nadar, nem a correr, nem a pedalar. Mas, com o tempo, especialmente durante a pandemia, comecei a treinar com um plano, depois arranjei um treinador, e fui melhorando”, conta Ventura.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Matthew Ventura vai fazer a Ironman Portugal em Outubro deste ano, competindo pela primeira vez na terra das sus origens
A primeira competição surgiu em 2021, com um IRONMAN 70.3 em Lubbock, Texas. Desde então, não parou mais. Hoje, além de atleta, é licenciado em Finanças pela Rutgers University, conciliando o treino intenso com uma vida profissional exigente.
A Preparação para Cascais
Conciliar trabalho e treino não tem sido fácil. Muitas vezes, Matthew treina às 11 ou 12 da noite, encaixando sessões de corrida de 4 ou 5 quilómetros após um dia inteiro de trabalho.
“Durante a semana faço o que consigo. Ao fim de semana, sacrifico muito tempo, mas tento sempre ver a família. Somos portugueses, temos de ver a família — é assim que é”, conta.
Embora o sonho de qualquer triatleta seja qualificar-se para o Campeonato Mundial de IRONMAN, Matthew encara esta prova com realismo: “O trabalho tem sido muito, por isso não treinei tanto como gostaria. Mas quero terminar forte e com um tempo de que me orgulhe. Algo à volta das 10 horas seria um bom objectivo”.
Representar Portugal… à sua maneira
Para Matthew, participar no IRONMAN de Cascais é mais do que uma competição. É uma homenagem às suas raízes, à sua família e à cultura portuguesa que sempre esteve presente na sua vida, mesmo do outro lado do Atlântico.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Matthew Ventura com os pais e a camisola da Selecção portuguesa de ciclismo
No dia 18 de Outubro, quando mergulhar nas águas de Cascais, iniciar o percurso de bicicleta e depois enfrentar a maratona final, não estará apenas a competir contra o tempo – estará também a honrar a herança dos seus pais e a mostrar que, onde quer que estejam, os portugueses levam sempre a sua força consigo.

