EXCLUSIVO | Maior associação luso-americana está sem corpos gerentes eleitos desde Janeiro
• Por HENRIQUE MANO | Danbury, CT
O emblemático Centro Cultural Português (C.C.P.) da cidade de Danbury, no estado norte-americano de Connecticut, está de portas abertas mas sem corpos directivos eleitos desde Dezembro do passado ano de 2024. A informação foi confirmada ao jornal LUSO-AMERICANO por Jorge Sousa, que assume desde o início da crise directiva as funções de Presidente em exercício da colectividade.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Fachada do Centro Cultural Português da cidade de Danbury, CT: crise directiva
Localizado no 65 da Sand Pit Road, o C.C.P. é considerada a maior agremiação portuguesa dos Estados Unidos da América e a segunda maior da diáspora lusa, a seguir ao Clube Desportivo Português de Caracas, na Venezuela. Nasceu da junção do Portuguese-American Club com o Clube “Filhos de Portugal”, há 24 anos.
“Eu estou a assumir o cargo de Presidente mas não há direcção”, lamenta o emigrante Jorge Sousa, de 47 anos e natural de Vila Pouca de Aguiar.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Jorge Sousa é Presidente interino do Centro Cultural Português da cidade de Danbury, CT
Para além da direcção, também os elementos da Mesa da Assembleia Geral desistiram das suas funções. Ainda segundo o Presidente em funções, o último Presidente da direcção foi Aires Carneiro e o Presidente da Mesa da A.G. Pedro Sousa (este último afastou-se no final do mês de Janeiro “e mais ninguém desse órgão quis continuar”).
Jorge Sousa conta com um núcleo duro de ajudantes para gerir o dia-a-dia do C.C.P., entre eles o tesoureiro Rui Figueiredo e um ‘bookeeper’. “Quando temos eventos privados num dos nossos espaços, arranjamos mais uns voluntários de reforço”, nota.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Fachada do Centro Cultural Português da cidade de Danbury, CT: crise directiva
O C.C.P. realizou uma Assembleia Geral em Janeiro deste ano para a eleição de novos corpos gerentes, sem êxito; “há duas semanas, três meses depois, voltámos a fazer novo plenário mas não se conseguiu formar direcção”.
Sousa garante terem sido enviadas cerca de 390 cartas a sócios para a A.G.; compareceram 39 perssoas…
O C.C.P. está a utilizar o seu restaurante como sala de festas privativas e a sala de jantar do bar para servir almoços e jantares; das suas infra-estruturas fazem parte a Banda Filarmónica “Filhos de Portugal” e um rancho folclórico com o mesmo nome.
A situação económico da agremiação é tão estável, que foi possível há meses fazer o pagamento por inteiro da sua hipoteca (“mortgage”).
Apesar da crise directiva, o Centro continua de olhos postos no futuro e a acreditar que dias melhores virão… Tanto que, anuncia o Presidente em funções Jorge Sousa, após o piquenique do Dia de Portugal (a realizar-se a 30 e 31 de Maio e 1 de Junho), “vamos começar a trabalhar na criação de uma comissão que irá coordenar os festejos do 25.º aniversário do Centro, um marco histórico que merece ser assinalado em grande. Seria fantástico termos pelo menos 600 pessoas nessa gala!” – sonha Sousa.
A terminar, deixa um apelo à comunidade: “se puderem, por favor envolvam-se na vida do Centro. Esta casa é de todos nós e todos nós temos a responsabilidade moral de a manter para as próximas gerações”.

