Marine Le Pen e União Nacional lançam contraofensiva após inelegibilidade
A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, e a União Nacional (RN) lançaram uma virulenta contraofensiva política e judicial, denunciando a “tirania dos juízes” e uma manobra do “sistema” para a impedir de aceder ao poder.
A contraofensiva surge na sequência da decisão do Tribunal Penal de Paris que, na segunda-feira, a declarou impedida de exercer cargos públicos, e por isso impossibilitada de concorrer às próximas eleições presidenciais, previstas para 2027, nas quais era favorita.
Perante os ataques da extrema-direita, incluindo os feitos pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um dos juízes mais antigos de França defendeu a condenação, afirmando que “não se trata de uma decisão política, mas sim de uma decisão judicial, proferida por três juízes independentes e imparciais”.
O tribunal condenou a líder de 56 anos por desvio de fundos públicos, estabelecendo que houve, de facto, um “sistema” posto em prática entre 2004 e 2016 para fazer “poupanças” para a Frente Nacional – que em 2018 se tornou União Nacional (RN, na sigla em francês), usando dinheiro do Parlamento Europeu para pagar a assistentes de eurodeputados que trabalhavam efetivamente para o partido.
Le Pen foi também condenada a quatro anos de prisão, dois dos quais suspensos, embora tenha de vir a usar uma pulseira eletrónica.
“O sistema trouxe a bomba nuclear e se está a usar uma arma tão poderosa contra nós, é obviamente porque estamos à beira de ganhar uma eleição”, disse Le Pen aos deputados do seu partido.
O presidente do partido, Jordan Bardella, denunciou uma “tirania dos juízes”, condenando as “ameaças, insultos e injúrias” que lhes são dirigidas e que se multiplicaram desde o acórdão. “Tudo será feito para nos impedir de chegar ao poder”, afirmou.
A condenação foi criticada por toda a galáxia nacionalista e populista global, incluindo o Kremlin, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e até Donald Trump.

