MÉDIO ORIENTE | Afeganistão quer dialogar com Paquistão para resolver conflito armado

O Governo afegão anunciou hoje (sexta-feira) que pretende o diálogo para resolver o conflito com o vizinho Paquistão, após o recente desencadear de violentos combates entre os dois países.

“Inssistimos repetidamente na necessidade de uma solução pacífica e continuamos a desejar que o problema seja resolvido através do diálogo”, afirmou o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, durante uma conferência de imprensa.

Mujahid afirmou que aviões de vigilância do Paquistão estavam a sobrevoar o espaço aéreo do Afeganistão, horas depois de Islamabad ter lançado ataques aéreos contra as cidades de Cabul e Kandahar.

“Aviões de reconhecimento paquistaneses sobrevoam atualmente o espaço aéreo afegão”, declarou Mujahid durante uma conferência de imprensa em Kandahar, no sul do país, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O Afeganistão lançou na quinta-feira à noite um ataque contra o Paquistão, justificando a ação como uma retaliação por bombardeamentos paquistaneses em zonas fronteiriças ocorridos no domingo, 22 de Fevereiro.

Em resposta, o Paquistão efectuou hoje novos ataques aéreos em Cabul e noutras duas províncias afegãs.

O ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, afirmou que os ataques integrados na operação “Ira da Verdade” mataram mais de 130 alegados talibãs.

Cabul reivindicou que a ofensiva de quinta-feira causou a morte a mais de 50 militares paquistaneses ao longo da Linha Durand, que delimita a fronteira de 2.640 quilómetros entre os dois países.

As hostilidades eclodiram dias depois de as autoridades do Afeganistão terem denunciado no Conselho de Segurança das Nações Unidas bombardeamentos paquistaneses que terão causado a morte a mais de uma dezena de civis.

Islamabad argumentou que esses ataques visaram “acampamentos e esconderijos terroristas” do grupo armado Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), conhecido como os talibãs paquistaneses, e do grupo extremista Estado Islâmico, em resposta a recentes atentados suicidas em solo paquistanês.