MÉDIO ORIENTE | Quais são os principais desenvolvimentos da guerra no Irão?

Ao quarto dia da ofensiva israelo-americana contra o Irão, Teerão tinha atacado locais ligados aos Estados Unidos (EUA) no Golfo, enquanto Israel continuava a bombardear simultaneamente o território iraniano e o Líbano.

Israel anunciou que vai destacar soldados para o sul do Líbano, mas desmentiu uma operação terrestre, que tinha sido confirmada por uma fonte militar libanesa à agência de noticias francesa France-Presse (AFP).

O ponto da situação era o seguinte, à altura do fecho desta edição do jornal LUSO-AMERICANO, segundo a AFP:

Encerramento de duas embaixadas dos EUA

A embaixada dos EUA em Riade encerrou e confirmou terça-feira ter sido alvo de um ataque, após o anúncio pelo Ministério da Defesa saudita de “um incêndio limitado” na sequência de um ataque com dois drones.

Questionado sobre uma eventual resposta, o Presidente Donald Trump, declarou: “descobrirão em breve”.

A embaixada dos EUA no Kuwait anunciou também o encerramento “até nova ordem”, devido às “tensões regionais persistentes”.

Na segunda-feira, um jornalista da AFP avistou fumo a sair da embaixada após ataques iranianos.

O Departamento de Estado ordenou a saída de todo o pessoal diplomático não essencial do Iraque, Jordânia e Bahrein.

Israel bombardeia Beirute 

O exército israelita anunciou terça-feira de manhã a realização de “ataques simultâneos em Teerão e Beirute” contra alvos militares iranianos e do movimento xiita libanês Hezbollah.

Segundo imagens da AFPTV, uma grande coluna de fumo elevava-se sobre a capital libanesa. A estação Al-Manar, ligada ao Hezbollah, anunciou que as suas instalações nos subúrbios sul da capital foram bombardeadas.

Tal como na segunda-feira, Israel voltou a apelar aos habitantes de dezenas de localidades em todo o Líbano para que se retirassem perante bombardeamentos iminentes.

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, anunciou que o exército vai “avançar e tomar o controlo” de posições estratégicas adicionais no Líbano.

Reafectação do exército libanês 

O exército libanês retirou-se de posições no sul do Líbano, junto à fronteira com Israel, face ao recrudescimento das ações dos militares israelitas para preservar a segurança dos seus efectivos, disse uma fonte militar à AFP.

Um jornal libanês noticiou, no mesmo dia, que a ONU também mandou retirar pessoal não essencial do sul, enquanto a força internacional reportou um incidente com um drone israelita que largou uma granada perto de uma das suas patrulhas, sem vítimas.

Israel ataca Teerão

Fortes explosões foram ouvidas, logo pela manhã de dia 3 de Março, em vários bairros de Teerão.

A imprensa iraniana deu conta de explosões em Karaj (oeste de Teerão) e em Isfahan, no centro do país.

Hezbollah afirma ter visado três bases em Israel

O movimento pró-iraniano afirmou ter visado três bases militares em Israel com drones e foguetes, em resposta à “agressão criminosa” contra vilas e aldeias libanesas.

Os alvos incluíram as bases aéreas de Ramat David e Meron, além da base de Nafah, no Golan sírio ocupado.

EUA dizem ter destruído bases dos Guardas da Revolução

O exército norte-americano afirmou ter “destruído instalações de comando e controlo do Corpo dos Guardas da Revolução Islâmica, capacidades de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones, bem como aeródromos militares”.

Bahrein e Omã atacados

Os Guardas da Revolução anunciaram um “ataque de grande escala” contra uma base aérea norte-americana no Bahrein, afirmando que “20 drones e três mísseis atingiram os alvos”.

Em Omã, drones visaram o porto de Duqm, atingindo um depósito de combustível. Lembre-se que este sultanato passou de mediador entre o Irão e os EUA, a agora alvo de guerra.

Ataques de drones atribuídos ao Irão atingiram também o campo de Azadi, de combatentes curdos iranianos, no norte do Iraque.

Ameaça contra navios no Estreito de Ormuz

Um responsável iraniano ameaçou na segunda-feira “queimar qualquer navio” que tente atravessar o Estreito de Ormuz, onde a navegação está paralisada.

A China apelou recentemente a todas as partes para cessarem imediactamente as operações militares para manter a segurança das vias navegáveis e evitar um impacto maior na economia mundial.

O Estreito de Ormuz é um ponto de passagem chave do comércio mundial de petróleo – sendo responsável pela passagem diária de mais de 20%.

Desde o início do conflito, o preço do petróleo já disparou. E existem países , como a China, Índia, Japão e Coreia do Sul – que serão afectados em caso deste ser fechado.

França de olho em bases  no Médio Oriente e no Chipre

Caças franceses “Rafale” fizeram operações de segurança do espaço aéreo sobre as bases militares da França no Médio Oriente, como forma de prevenção.

“Temos nos Emirados [Árabes Unidos] uma base naval e uma base aérea”, em al-Dhafra, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot.

Por outro lado,  a França vai enviar uma fragata e sistemas de defesa anti-míssil e contra drones para Chipre depois de uma base aérea britânica na ilha ter sido atacada por drones na segunda-feira.

O ataque foi atribuído à milícia xiita Hezbollah, apoiada pelo Irão, e terá partido de bases no Líbano. 

Mercados inquietos

Após uma valorização de mais de 6% na segunda-feira, os preços do petróleo continuam a subir, com o barril de Brent a atingir os 81 dólares na Ásia.

O gás subia mais de 23% só na terça-feira de manhã.

Na Europa, as bolsas de Paris, Frankfurt e Londres abriram, no mesmo dia, no vermelho.

Na Ásia, Seul recuou 7% e Tóquio mais de 3%.

Como começou tudo?

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases nor-te-americanas na região e alvos israelitas.

Donald Trump afirmou que a operação visa eliminar ameaças “iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como “ameaça existencial”.

O Irão já confirmou a morte do ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 tendo decretado um período de luto de 40 dias.

Segundo o Crescente Vermelho iraniano, os ataques de Israel e dos EUA já fizeram mais 787 mortos desde sábado.

O Exército dos EUA confirmou a morte de seis militares norte-americanos.