Netanyahu aceita plano Trump para Gaza com reforma “radical” da Autoridade Palestiniana
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, manifestou segunda-feira apoio ao plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, para Gaza, mas condicionou-o a mudanças “radicais” na Autoridade Palestiniana (AP).
O plano de 20 pontos de Trump, apresentado na Casa Branca na presença de Netanyahu, contempla para o enclave sob invasão israelita um governo de transição palestiniano sem o Hamas, movimento islamita que protagonizou o ataque de Outubro de 2023 contra Israel.
Para Netanyahu, mesmo a AP – mais moderada e que governa na Cisjordânia ocupada – não terá “qualquer papel a desempenhar” em Gaza sem mudanças “radicais”.
“Gaza terá uma administração pacífica e civil que não será comandada pelo Hamas ou pela Autoridade Palestiniana”, disse Netanyahu na conferência de imprensa conjunta com Trump.
“Em relação à Autoridade Palestiniana, aprecio a sua firme posição (de Trump de que não pode ter absolutamente qualquer papel em Gaza sem passar por uma transformação real, radical e muito real”, acrescentou.
Segundo o primeiro-ministro israelita, ao abrigo do plano Israel irá manter “responsabilidade de segurança” em Gaza.
Se o Hamas não aceitar o plano de Trump, Israel irá “levar a tarefa até ao fim” em Gaza, com o objectivo de erradicar este movimento, disse Netanyahu.
“Se o Hamas rejeitar o seu plano, senhor Presidente – ou se disser que o aceita, mas fizer tudo o que estiver ao seu alcance para o bloquear – Israel levará por si só a tarefa até ao fim”, acrescentou o primeiro-ministro israelita na Casa Branca.
“Isto pode ser feito da maneira fácil ou da maneira difícil, mas será feito”, sublinhou.
Trump afirmou esperar que o Hamas aceite o seu plano de paz, e que, caso não o faça, Israel “tem o total apoio” de Washington para tomar medidas para derrotar o Hamas.
Este plano, no qual a Casa Branca garante que “ninguém será forçado a sair de Gaza”, foi divulgado pouco antes de uma conferência de imprensa conjunta entre Trump e Netanyahu. Inclui um cessar-fogo na ofensiva israelita, a libertação de todos os reféns e o estabelecimento de um governo de transição supervisionado por uma junta presidida pelo próprio Donald Trump.
Os EUA comprometem-se também a mediar entre Israel e a Palestina para uma “coexistência pacífica” e abrem caminho para a criação de um Estado palestiniano.

