NEWARK, NJ: CERIMÓNIA ANUAL DO IÇAR DA BANDEIRA NA CÂMARA MUNICIPAL
Por HENRIQUE MANO | News Editor
Pelo 43.º ano consecutivo, a bandeira de Portugal foi içada sabado, 4 de Junho, no edifício da câmara da maior cidade do estado de New Jersey – Newark. O evento levou um numeroso grupo de figuras públicas e dirigentes associativos à escadaria da ‘city hall’, incluindo o vereador pelo Bairro Leste Augusto Amador, que ainda recupera de um sério problema de saúde que o afligiu há uns meses. Foi mesmo a sua primeira aparição pública desde esse episódio.

A cerimónia, conduzida por Alberto Coutinho, começou com o entoar dos hinos de Portugal e dos EUA (a cargo de Andréia Miguens e Juliana Vítor), seguindo-se um alargada cerimónia onde foram apresentadas as várias figuras presentes e os homenageados dos ano.

Para além do xerife Armando Fontoura, do condado de Essex, estavam a mayor-adjunta Lígia de Freitas, a deputada estadual Eliana Pintor-Marín, o cônsul-geral Pedro Monteiro, o mayor Alberto Santos, de Kearny, a conselheira da diáspora açoriana Katherine Soares (também presidente do PALCUS) e vários elementos do conselho municipal.

“Esta comunidade deve sentir orgulho por esta celebração porque continua a ser a maior do género em todo o mundo, incluindo Portugal”, nota o cônsul-geral Pedro Monteiro, que, em final de missão, foi obsequiado com uma ‘resolution’ pelo conselho municipal de Newark, “em termos de adesão popular, história e tradição. Pode já não ser o que era, porque a evolução da emigração ditou que assim fosse, mas o facto é que, historicamente, durante duas ou três décadas, esta foi a maior celebração do Dia de Portugal no mundo e continua a ser, mesmo num formato minimalista.” Para o diplomata, “aqui sente-se esse orgulho por Portugal, com a particularidade de esta comunidade estar ainda muito ligada ao país de origem.”

O 10 de Junho continua, para o Xerife Armando Fontoura, que esteve em todas as suas edições em Newark, “a ser um dia de muita excitação, em que mostramos às pessoas que estamos aqui e que estamos há muito tempo. Faço, aliás, sempre questão de dizer aos presidentes de câmara aqui em Newark que, se esta cidade se levantou das revoltas raciais da década de 60, foi graças aos portugueses, que nunca a abandonaram – ao contrário de outros grupos étnicos. Todo este renascer de Newark tem muito mais a ver com a nossa comunidade do que com qualquer outra.”

Entre as várias organizações presentes, estava o Rancho Folclórico Camponeses do Minho, do Sport Club Português. “É muito bonito ver a nossa comunidade num dia tão simbólico como este aqui reunida a celebrar uma herança comum a todos nós”, afiram o seu director, Alberto Veloso.

Maria Zéza Cordeiro, presidente do Sport Newark & Benfica, já participa nos festejos há décadas: “Representa para mim uma felicidade muito grande, é uma honra ser portuguesa. Tive sempre um profundo orgulho das minha raízes.”

Também a presidente do centenário Sport Club Português de Newark manifesta o quão “espectacular é este dia, em que reiteramos o nosso orgulho em sermos portugueses. Depois, podermos estar aqui todos unidos em frente ao edifício da câmara e ver a bandeira de Portugal levantada, torna-se um dia muito especial para mim.”

Durante a cerimónia, foi apresentado o grand marshal da parada de 2022, o jornalista Luís Pires, com mais de 50 anos de carreira na comunicação social, e três outras figuras a merecerem destaque este ano: o empresário português do sector alimentar António Seabra, Nicole Fields, CEO da St. James Health, e a fadista Elizabeth Maria, que nos deixou este ano – a título póstumo.

Em declarações também ao jornal LUSO-AMERICANO, a deputada estadual Eliana Pintor-Marín reconheceu que o 10 de Junho representa “um grande orgulho para nós portugueses porque nos faz lembrar o quão importante é esta língua e cultura que trazemos connosco, tal como a ética que nos rege em todo o nosso percurso.”

Albert Coutinho, filho da figura responsável pela criação da era moderna dos festejos, refere que, “para a nossa família, esta data é sempre um tanto agridoce, por não ternos aqui o nosso pai. Por isso, para os Coutinho, é muito emocionante. No entanto”, ressalva, “o importante é dar-lhes continuidade, seja neste ou noutro formato. Estas celebrações são a prova de que estamos integrados em Newark e de que aqui, ao contrário do que sucede infelizmente neste país e noutras partes do mundo, celebrar culturas diferentes é possível e positivo. Ter-se-á que rever em que modelo se vai continuar a fazer o Dia de Portugal doravante, mas, mesmo que não fosse por nada mais, apenas pelo aspecto de inclusão e aceitação cultural, já vale a pena fazê-lo. Vamos por isso trabalhar juntos para que este espírito prossiga.”

António Seabra, falando ao LA, diz-se honrado pelo reconhecimento e adianta: “Sou português, nasci em Portugal e vivo Portugal no dia-a-dia. O nosso país é espectacular, para além de sermos um povo respeitados em todo o mundo pela sua ética de trabalho. Vamos por isso todos celebrar o Dia de Portugal.”














