NEWARK | Número de detidos em Delaney Hall dispara em prisão após a sua reabertura

O centro federal de detenção de imigrantes Delaney Hall, em Newark (New Jersey).  reabriu em Maio sob a administração Trump e, desde então, a população de detidos aumentou de forma muito rápida – passou de 4 pessoas em Maio para mais de 800 em Novembro.

Segundo dados revelados pela organização não partidária Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), pode ser visto esse aumento:

• 12 de Maio – 4;

• 9 de Junho – 63;

• 23 de Junho – 96;

• 21 de Julho – 139;

• 4 de Agosto – 162;

• 18 de Agosto – 187;

• 2 de Setembro – 212;

• 15 de Setembro – 234;

• 10 de Novembro – 807.

Também foi revelado que cerca de 90% dos detidos não têm registo criminal.

A instalação, gerida pela empresa privada GEO Group – uma das maiores empresas de prisões privadas do país – através de um contrato de 15 anos avaliado em mil milhões de dólares, tinha sido fechada em 2017 e transformada numa casa de reinserção. A sua reabertura permite ao  Serviço de Imigração e Controlo Aduaneiro dos EUA (ICE) aumentar a capacidade de detenção e deportação no nordeste dos EUA.

Críticas às Condições do Centro

Desde que reabriu, têm surgido muitas queixas sobre as condições em Delaney Hall:

• alegações de tratamento “desumano”;

• relatos de bloqueios prolongados, abusos verbais e dificuldades em aceder à cantina;

• sobrelotação e comida de má qualidade;

• visitantes forçados a esperar ao ar livre em condições extremas.

Após críticas, foi colocado um pequeno abrigo para visitantes, mas líderes locais consideraram-no insuficiente.

O GEO Group afirma que fornece cuidados adequados, incluindo acesso médico permanente, refeições aprovadas por nutricionistas e condições seguras.

Debate Político e Legal

A reabertura de Delaney Hall reactivou o debate sobre o uso de prisões privadas para alojar detidos do ICE.

Uma lei estadual de 2021 proibia novos contratos com o ICE, mas parte dessa lei foi anulada por um tribunal federal em 2024.

Empresas como a GEO Group e a CoreCivic têm beneficiado financeiramente do aumento das detenções, tendo as suas ações subido após a reeleição de Trump.

Organizações de direitos humanos e activistas continuam a denunciar condições desumanas em diversas instalações de imigração no estado, tanto privadas como públicas.