NOVA IORQUE | Empresário português de 23 anos abre casa de pastéis de nata na “Big Apple”
• Por HENRIQUE MANO | Nova Iorque
Aos 23 anos, Manuel Portugal carrega consigo uma convicção rara para a idade: com trabalho, método e identidade, os sonhos podem ganhar forma (mesmo no centro de uma das cidades mais exigentes do mundo). Natural de Lisboa e a viver há cinco anos em Nova Iorque, o jovem empreendedor abriu portas no passado dia 8 de Janeiro a uma casa dedicada a um dos mais emblemáticos símbolos da doçaria portuguesa: o pastel de nata.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Manuel Portugal à entrada do seu estabelecimento, “Nata”
Situada em 11 Waverly Place, em pleno coração do campus universitário da NYU, a “Nata” [ https://www.nata.nyc ] nasceu da “saudade de casa, da família, de Lisboa e de Portugal” – adiantou o seu proprietário, em entrevista exclusiva ao jornal LUSO-AMERICANO. Mas nasceu também de algo que Nova Iorque sabe incutir como poucas cidades, nota: “a crença profunda de que tudo é possível para quem está disposto a trabalhar arduamente. Foi dessa mistura de nostalgia e ambição que surgiu o projecto”.
Formado em Matemática e Economia pela NYU, onde estudou durante quatro anos, Manuel decidiu aplicar o seu know-how académico ao mundo do empreendedorismo. Todo o processo de criação da “Nata” foi pensado de forma metódica, “com o objectivo claro de criar um produto de excelência e trazê-lo para Nova Iorque da forma mais eficiente possível, sem comprometer a autenticidade”.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Mais uma fornada de pastéis de nata…
O produto é totalmente de fabrico próprio, da massa ao creme, garante Manuel Portugal, e o método de produção é exigente. Consciente dessa dificuldade, Manuel rodeou-se de “pasteleiros portugueses de altíssima qualidade, que me acompanham desde o início deste projecto, há cerca de ano e meio”. O caminho tem sido árduo, confessa, mas a recompensa, “tanto pessoal como profissional, tem sido imensa”.
O conceito escolhido para a cidade foi o de “grab and go”. Ou seja, “pegar numa nata, num café, e arrancares. Simples, directo e perfeitamente adaptado ao ritmo nova-iorquino”.
Ainda assim, há princípios que não se negoceiam. Só existe o sabor tradicional. Não há variações nem adaptações ao gosto americano. “Manter ao máximo as raízes portuguesas” é uma prioridade, diz Portugal, para quem “americanizar o produto nunca esteve nos planos”.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | A caixa de pastéis de nata da “Nata”
No café, a escolha recaiu sobre a marca portuguesa “Delta”, reforçando a ligação a Portugal. O menu foi pensado em torno de “pairings” entre o café e a nata, com a ideia clara de que “cada venda inclua sempre essa dupla”. O bestseller é o cinnamon cortado, que tem conquistado estudantes, professores e curiosos que passam diariamente pela zona.
Manuel reconhece que a marca Portugal “tem ganho uma projecção internacional crescente, impulsionada pelo turismo. Uma realidade com pontos positivos e negativos, mas que trouxe algo essencial para o nosso projecto: visibilidade e reconhecimento”, afirma. Sentiu esse “awareness” de Portugal de forma muito clara durante o tempo que passou na NYU e soube aproveitar essa onda para lançar a “Nata”.
Além do atendimento ao balcão, o espaço faz entregas ao domicílio. Os preços reflectem a aposta na qualidade: um pastel custa 4,50 dólares, duas natas 8 dólares e meia dúzia 22 dólares. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 9:00 às 5:00, e aos sábados das 10:00 às 4:00.
Apesar de estar plenamente focado neste desafio, Manuel não fecha a porta ao regresso. “Um dia voltarei de certeza a Portugal”, afirma. Empreendedor por natureza, acredita que, no fim de contas, tudo se resume a uma ideia simples mas poderosa: “criar valor”. E, em Nova Iorque, esse valor tem sabor a nata – portuguesa, autêntica e feita com alma.

