SPINUMVIVA. Novos documentos solicitados pelo Ministério Público “são para complementar”

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse hoje que o pedido do Ministério Público de mais documentos sobre a Spinumviva “não é nada de mais” e que vai enviá-los “o mais rápido possível”.

“Eu já recebi esse pedido, que é um pedido normal (…). Posso dizer que não é nada demais, mas pronto, aproveitarei nomeadamente a tarde de hoje para tentar reunir os documentos que foram solicitados e enviá-los o mais rápido”, declarou hoje Luís Montenegro aos jornalista, à margem de um evento no Porto.

O primeiro-ministro recusou, contudo, especificar quais os documentos que lhe foram solicitados.

O Ministério Público (MP) pediu mais documentação ao primeiro-ministro para poder finalizar a averiguação preventiva sobre os negócios da sua empresa familiar Spinumviva, disse o Procurador-geral da República (PGR).

“A informação que tenho é que existe muita documentação e, esta semana, o DCIAP [Departamento Central de Investigação e Ação Penal] pediu mais documentação” ao primeiro-ministro, disse Amadeu Guerra em entrevista ao jornal Nascer do Sol.

O PGR adianta que na próxima semana vai fazer um ponto de situação com o director do DCIAP sobre vários inquéritos e vai indagar as razões da demora e a justificação.

A polémica com a empresa Spinumviva surgiu com notícias do Correio da Manhã que indicavam que a empresa familiar do primeiro-ministro se dedicava, entre outras actividades, à compra e venda de imóveis.

Na sequência das notícias desse ramo de actividade da Spinumviva abriu-se a discussão sobre a eventual actividade profissional do primeiro-ministro em paralelo ao exercício de funções governativas e sobre a identidade dos clientes da empresa e possíveis conflitos de interesse.

Na sequência de três queixas recebidas pela Procuradoria-Geral da República, foi aberta pelo Ministério Público uma averiguação preventiva à empresa familiar do primeiro-ministro, com o objectivo de determinar se existem indícios que justifiquem a abertura de inquérito criminal.

A averiguação preventiva foi confirmada pelo procurador-geral da República a 12 de Março, um dia depois da queda do executivo de Luís Montenegro, que não sobreviveu à rejeição da moção de confiança ao Governo apresentada no parlamento.