EUA | Evento “Toast to America” trará Presidente do Governo Regional da Madeira a Nova Iorque

Por HENRIQUE MANO | Nova Iorque

No próximo dia 10 de Setembro, Nova Iorque será palco de um brinde especial à história e aos laços culturais entre Portugal e os Estados Unidos. O evento, intitulado “A Toast to America”, é promovido pelo IVBAM (Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira) e terá lugar às 6:00 da tarde, em Union Square, no número 873 da Broadway, entre as ruas 18 e 19.

Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional da Madeira

A iniciativa contará com a presença de Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional da Madeira, e promete ser uma celebração da herança e das relações duradouras entre a ilha atlântica (e Portugal) e a nação americana.

Num gesto carregado de simbolismo, os participantes serão convidados a erguer um copo de vinho da Madeira – tal como fizeram os “Founding Fathers” aquando da fundação dos Estados Unidos.

O vinho Madeira volta a estar em destaque em Nova Iorque

A escolha da bebida não é casual: o vinho da Madeira foi, no século XVIII, um dos preferidos das elites coloniais e esteve presente em momentos marcantes da história norte-americana, incluindo o brinde à assinatura da Declaração de Independência, em 1776.

O VINHO DA MADEIRA E A INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS: UM BRINDE À LIBERDADE

Poucos produtos portugueses têm uma ligação tão curiosa e profunda com a história dos Estados Unidos da América como o vinho da Madeira. Desde o século XVIII, este generoso vinho atlântico era presença habitual nas adegas das treze colónias britânicas na América do Norte, apreciado não apenas pelo seu sabor singular, mas também pela sua durabilidade. Ao contrário de outros vinhos europeus, o Madeira resistia bem às longas travessias marítimas e às variações de temperatura, mantendo – e até aprimorando – as suas qualidades.

O vinho da Madeira tornou-se símbolo de requinte e hospitalidade nas elites coloniais. Registos históricos mostram que figuras como George Washington, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin e John Adams eram consumidores assíduos. Washington, por exemplo, mantinha reservas consideráveis na sua propriedade em Mount Vernon, e Jefferson chegou a elogiá-lo como um dos vinhos mais adequados para climas quentes.

O momento mais célebre desta ligação ocorreu a 4 de Julho de 1776. De acordo com relatos da época, o brinde à assinatura da Declaração de Independência, na Filadélfia, foi feito com copos cheios de vinho da Madeira. A bebida portuguesa estava, assim, presente no acto fundador da nação americana — um detalhe que a história guardou com sabor especial.

Além de ser associado a momentos de celebração, o vinho da Madeira também se ligou a episódios de tensão política. Um dos catalisadores do descontentamento colonial contra a Coroa britânica foi a imposição de taxas e restrições comerciais, incluindo sobre o vinho. O famoso Madeira Wine Affair de 1768 – quando as autoridades britânicas confiscaram um carregamento de vinho pertencente a John Hancock, um dos futuros signatários da Declaração – inflamou o espírito independentista e reforçou a oposição às políticas fiscais de Londres.

Assim, o vinho da Madeira não foi apenas uma bebida apreciada pelos Founding Fathers; foi também um ingrediente cultural e económico que, de forma subtil, participou na construção da identidade americana e nos brindes à sua liberdade. Hoje, mais de dois séculos depois, cada cálice de Madeira é também um gole de história partilhada entre Portugal e os Estados Unidos.