EXCLUSIVO | TAP reforça aposta nos EUA “com 51 voos semanais e novas rotas” – chairman Carlos
• Por HENRIQUE MANO | Newark, NJ
A TAP Air Portugal quer consolidar a sua presença no mercado norte-americano, numa altura marcada por desafios globais no setor da aviação e por novas oportunidades de crescimento. Em entrevista exclusiva ao jornal LUSO-AMERICANO, concedida nas instalações da empresa em Newark, NJ, o chairman Carlos Oliveira destaca o papel estratégico dos Estados Unidos, a ligação às comunidades portuguesas e o lançamento de um novo produto a bordo.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | O gestor Carlos Moreira, chairman da TAP Air Portugal, na entrevista exclusiva que concedeu ao jornal LUSO-AMERICANO nas instalações da empresa em Newark, NJ
Um dos sinais dessa aposta passa pela ligação a grandes eventos internacionais. “Somos a companhia aérea da Seleção Nacional de Futebol para o Mundial e contamos servir muito bem a nossa Seleção (e esperemos que por um período prolongado) durante o Mundial nos Estados Unidos”, afirma. O alto responsável sublinha ainda a parceria com o Comité Olímpico de Portugal para os Jogos de Los Angeles 2028 e recorda a longa ligação ao país: “Voamos desde 1969 para os Estados Unidos. É uma presença muito longa que se tornou numa aposta estratégica sólida”.
✈️Novo produto a bordo
Entre as novidades, a companhia prepara o lançamento de uma nova classe intermédia. “Estamos a lançar um produto novo, ‘economy prime’, já em vendas desde 31 de março e a bordo a partir de 1 de junho”, explica Carlos Antunes, diretor regional para as Américas.

O novo produto da TAP tem o ator José Condessa como “estrela” da respetiva campanha publicitária
A nova cabine surge entre a classe económica e a executiva e promete mais conforto: “É para passageiros que querem desfrutar de um pouco mais de espaço, com duas opções de refeições semelhantes à executiva, travel kit, embarque preferencial, mais bagagem – um pacote de benefícios que torna a viagem mais confortável e eficiente”. O serviço estará disponível em todos os aviões de longo curso.
✈️Impacto da crise no Médio Oriente
A instabilidade no Médio Oriente está a afetar diretamente o setor. Carlos Oliveira identifica dois fatores principais: “Há dois impactos: um na procura e outro nos custos do jet fuel”.

“A partir do momento em que pomos o pé dentro de um dos nossos aviões, estamos em Portugal”
Segundo o chairman, o aumento do combustível tem sido particularmente significativo: “Teve um crescimento de cerca de 80% nos últimos dois meses e não pode ser absorvido a 100% nas tarifas pelos clientes”. Perante este cenário, a resposta passa por uma gestão diária: “Estamos a fazer aquilo que todas as companhias fazem: uma gestão ao dia para ultrapassar esta complexidade”.
✈️Voos para os EUA sob avaliação?
Questionado sobre eventuais alterações nas rotas transatlânticas, o responsável não exclui ajustes: “Nada, neste momento, está excluído”.

Carlos Oliveira explica que as decisões estão a ser tomadas em tempo real: “A equipa executiva acompanha a situação e vai tomando decisões quase ao dia”, acrescentando que se trata de um problema global e não específico de um mercado.
✈️“Mercado da saudade” continua central
A ligação às comunidades portuguesas mantém-se como um dos pilares da estratégia da TAP. “Tem uma importância fundamental”, afirma.
O chairman destaca a identidade da companhia: “A partir do momento em que pomos o pé dentro de um dos nossos aviões, estamos em Portugal”. Para Carlos Oliveira, esta componente cultural é diferenciadora e reflete-se na rede de rotas, especialmente nos Estados Unidos, onde muitas ligações servem diretamente áreas com forte presença portuguesa.
✈️Crescimento e concorrência no mercado americano
Num contexto de maior concorrência por parte de companhias norte-americanas, a TAP procura afirmar-se através da expansão seletiva. “Estamos a fazer o nosso trabalho de ocupar e procurar oportunidades interessantes para o desenvolvimento da TAP”, refere.

Questionado sobre eventuais alterações nas rotas transatlânticas, o responsável não exclui ajustes…
Entre as novidades, destaca-se a nova rota Orlando-Lisboa e o reforço da ligação Boston-Porto, que passa a operar todo o ano. A companhia conta ainda com “dois voos diários de Nova Iorque para Lisboa e um para o Porto”, totalizando 51 voos semanais entre Portugal e os Estados Unidos.
Carlos Oliveira sublinha o crescimento recente: “É o mercado onde mais temos crescido em número de lugares disponíveis nos últimos cinc↘o anos”. E resume o posicionamento da empresa: “Ligamos a Europa, a partir de Portugal, aos Estados Unidos, América do Sul e África”.
➥Quem é Carlos Oliveira?
⤻Gestor português com um percurso marcado pela inovação, empreendedorismo e políticas públicas, atualmente chairman da TAP Air Portugal desde julho de 2025.
⤻Natural de Braga, é lienciado em Engenharia de Sistemas e Informática pela Universidade do Minho.
⤻Iniciou a sua carreira muito cedo no setor tecnológico, tendo fundado a empresa MobiComp aos 22 anos, o que marcou o início de um percurso ligado ao empreendedorismo e ao desenvolvimento de negócios inovadores.
⤻Ao longo de mais de duas décadas de atividade, esteve envolvido na liderança de várias empresas tecnológicas e em processos de fusões e aquisições.
⤻No plano político, desempenhou funções como secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação no XIX Governo português, liderado por Pedro Passos Coelho.
⤻Posteriormente, assumiu cargos de relevo em instituições ligadas à inovação e ao desenvolvimento económico, incluindo a presidência da InvestBraga e da Fundação José Neves.
⤻Antes de chegar à TAP, era presidente do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), órgão consultivo do Governo português, e desempenhava também funções como administrador não executivo em várias empresas.
⤻Em julho de 2025, foi nomeado chairman da TAP Air Portugal, no contexto da separação entre funções executivas e de supervisão estratégica e do processo de privatização parcial da companhia.

