NJ PBS pode encerrar operações já no próximo ano
A NJ PBS, a estação pública de televisão de New Jersey, poderá encerrar operações já no próximo ano, depois de o Grupo WNET – operador actual da rede – não ter conseguido chegar a acordo com a Autoridade de Radiodifusão Pública do Estado para renovar o contrato de gestão do canal. O anúncio foi feito esta terça-feira pela própria estação.
Segundo a NJ PBS, os cortes de financiamento federais e estaduais foram decisivos para o actual impasse. Durante as negociações do orçamento estadual, no início deste ano, os legisladores reduziram o apoio financeiro à NJ PBS de 1 milhão para apenas 250 mil dólares — um corte de 750 mil dólares que resultou em despedimentos na estação.
A nível nacional, o sector da comunicação pública sofreu um duro golpe este verão, quando o Congresso, sob liderança republicana, aprovou cortes de 1,1 mil milhões de dólares ao financiamento federal da radiodifusão pública, afectando cerca de 330 estações da PBS e 246 afiliadas da NPR. A Corporation for Public Broadcasting, financiadora tradicional do sector, também anunciou que encerrará em 2026, deixando muitas estações à procura de fontes alternativas de financiamento.
O contrato actual entre o WNET Group e a autoridade estatal termina a 30 de Junho de 2026. Até lá, o WNET continuará a operar a NJ PBS e a produzir o noticiário diário ‘NJ Spotlight News with Briana Vannozzi’, que se manterá disponível nos canais NJ PBS, Thirteen e nas plataformas digitais.
“A WNET está comprometida em apoiar o estado durante esta transição e espera colaborar com instituições sediadas em New Jersey que estejam interessadas em operar uma rede pública de televisão,” afirmou Debra Falk, directora de comunicação da NJ PBS.
Falk indicou ainda que a distância entre as duas partes quanto ao “prazo contractual e compromissos financeiros” foi demasiado grande para que se chegasse a entendimento.
A notícia do possível encerramento da NJ PBS acontece num contexto de grande instabilidade no sector da comunicação em New Jersey. Jornais como o Star-Ledger, The Times of Trenton, South Jersey Times e The Jersey Journal encerraram edições impressas ou desapareceram totalmente. Além disso, o governador Phil Murphy e os legisladores decidiram, em Julho, deixar de exigir a publicação de anúncios legais em jornais, eliminando uma fonte importante de receita para muitos órgãos de informação.
As reacções ao possível encerramento da estação não tardaram. O senador federal Cory Booker, democrata, classificou a situação como uma “perda para todos os que vivem neste estado”.
“A programação da NJ PBS beneficia todos os habitantes, dos mais novos aos mais velhos. Continuarei a lutar contra os ataques à radiodifusão pública e a apoiar as redes locais em New Jersey e em todo o país”, afirmou Booker num comunicado.
Também os senadores estaduais John Burzichelli (D-Burlington) e Andrew Zwicker (D-Middlesex) apelaram a uma “análise completa e profunda” da situação, para encontrar soluções que evitem o encerramento.
“A televisão pública tem tido um papel crucial em New Jersey, ligando comunidades entre Nova Iorque e Filadélfia com informação de confiança e conteúdos educativos de grande valor”, sublinharam os senadores.
Já Aura Dunn, deputada republicana, alertou para as consequências da perda de uma estação que oferece programação gratuita e acesso a notícias locais: “A possível perda da NJ PBS vai muito além de uma estação de televisão – trata-se de garantir que as famílias de New Jersey continuam a ter acesso a conteúdos que as informam, educam e fortalecem”.
Scott Kobler, presidente do conselho da NJ PBS, manifestou-se “desapontado” com a decisão do WNET, mas atribuiu parte da responsabilidade ao próprio estado: “Acredito que a intransigência – ou talvez até a apatia – do estado, aliada aos cortes federais e aos desafios dos novos media, influenciou a decisão do WNET de proteger a sua operação principal enquanto uma das principais plataformas públicas do país”.
Com o futuro incerto, resta agora saber se surgirá uma nova entidade interessada em assumir a gestão da estação pública, garantindo a continuidade de um serviço considerado essencial para a vida cívica, cultural e informativa do estado.

