EXCLUSIVO | Filha de emigrantes portugueses de New Jersey está em missão militar no estrangeiro afecta à Força Aérea dos EUA

Por HENRIQUE MANO | News Editor

Nas bases militares espalhadas pelo mundo, onde a disciplina e o dever moldam o quotidiano de milhares de jovens soldados, há também histórias de identidade, de família e de orgulho nas raízes. Uma dessas histórias é a de Briana Pereira, jovem luso-americana de 26 anos que actualmente cumpre serviço militar na Força Aérea dos Estados Unidos.

Natural de New Brunswick, no estado de New Jersey, Briana cresceu na comunidade portuguesa de South River, onde desde cedo aprendeu que a herança cultural não é apenas memória – é também compromisso e pertença. Filha dos emigrantes Cláudia e João Pereira, naturais respectivamente da Gafanha do Carmo e da Gafanha da Boa Hora, no distrito de Aveiro, a jovem representa hoje uma geração que honra simultaneamente o país onde nasceu e a terra de onde vieram os seus pais.

Foto: CORTESIA FAMÍLIA PEREIRA | A jovem luso-americana Briana Pereira está ao serviço da Força Aérea dos EUA como mecânica de aeronáutica

Na Força Aérea norte-americana, Briana Pereira é mecânica de aviões militares e desempenha funções como “crew team”, garantindo que as aeronaves estejam prontas para levantar voo sempre que a missão assim o exige. Presentemente, encontra-se destacada no estrangeiro, em local não divulgado, cumprindo o seu dever com a bandeira dos Estados Unidos ao peito – e, no coração, o orgulho de duas pátrias.

A história da família Pereira na América começou em 1973, quando o pai da militar, João Pereira, deixou Portugal rumo a Newark, em busca de novas oportunidades. Na década de 1980, a família acabaria por fixar-se em South River, onde a comunidade portuguesa continua a preservar tradições e laços culturais.

Foto: CORTESIA FAMÍLIA PEREIRA | Briana Pereira com os pais e os irmãos (incluindo um irmão já falecido, o segundo da direita)

É precisamente nesse ambiente que Briana cresceu. A família frequenta o Clube Português da cidade e integra o Rancho Folclórico “Raízes de Portugal”, onde a jovem dança desde tenra idade – uma ligação à cultura que permanece viva, mesmo agora que a sua vida se desenrola entre hangares e pistas de aviação.

“Tenho muito orgulho de todos os meus filhos, mas sendo ela a única rapariga, nutro pela Diana um carinho especial”, afirma a mãe da militar luso-descendente, Cláudia Pereira, em entrevista exclusiva ao jornal LUSO-AMERICANO. “Tanto pela sua prontidão na defesa da América, que é o país dela, como pelo orgulho que a Briana sente por Portugal, a terra das origens. Aliás, ela tem dupla nacionalidade e até fez questão de tatuar a imagem de uma dançarina do rancho no braço”.

Foto: CORTESIA FAMÍLIA PEREIRA | Briana Pereira frequentou a Embry-Riddle Aeronautical University na Flórida, onde iniciou estudos em engenharia aeroespacial

Depois de concluir o liceu em Old Bridge, New Jersey, Briana iniciou estudos em engenharia aeroespacial na Embry-Riddle Aeronautical University, em Daytona Beach, na Flórida. O fascínio pela aviação e pelo serviço ao país levou-a então a optar pelo programa ROTC de acesso às forças armadas, ingressando na Força Aérea. Paralelamente, continua a formar-se online para se tornar professora de inglês.

Segundo a mãe, o amor de Briana por Portugal foi também alimentado pelas “muitas viagens feitas ao país ao longo dos anos”.

Foto: CORTESIA FAMÍLIA PEREIRA | A jovem luso-americana Briana Pereira com os pais numa saída do Rancho Folclórico “Raízes de Portugal”, de South River, NJ – a que os três pertencem

Para Cláudia Pereira, contudo, o orgulho convive inevitavelmente com a preocupação. A família atravessou recentemente um período de dor profunda com a perda prematura de um filho, vítima de um acidente há cerca de dois anos. Ainda assim, a fé e a esperança continuam a guiá-la.

“Como mãe, tenho o coração nas mãos ao vê-la em mais esta missão, mas muito confiante de que retornará sã e saudável”, confessa.

E acrescenta, com emoção:

“Ela tem no irmão que partiu um anjo da guarda permanente nas alturas”.

Uma jovem que prova que, mesmo longe da terra dos antepassados, as raízes continuam firmes. E que o amor à pátria – seja ela a de nascimento ou a de origem – pode voar tão alto quanto os aviões que prepara para partir em missão.

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