TRIBUTO | Empresário e filantropo português enfrenta fase final da vida deixando forte legado de solidariedade e empreendedorismo

Natural da ilha de São Jorge, nos Açores, o empresário português Luís Pedroso, figura muito respeitada na comunidade de Lowell, Massachusetts, enfrenta a fase final da sua vida após uma longa batalha contra um raro tipo de cancro, deixando um legado marcante de empreendedorismo, filantropia e apoio a emigrantes.

Aos 66 anos, Pedroso foi recentemente informado pelos médicos de que os tumores associados à doença (tumores estromais gastrointestinais) se espalharam para o fígado. Depois de mais de uma década a lutar contra o cancro, incluindo cirurgias em 2011, 2018 e 2021, decidiu entrar em cuidados paliativos na sua casa em Pelham, New Hampshire, onde permanece rodeado pela família e por amigos próximos.

Luís Pedroso

Apesar da gravidade da situação, encara o momento com serenidade. “Todos vamos partir um dia. As pessoas apenas não sabem onde estão na fila. Eu sei que estou no fim da fila”, afirmou recentemente, com brutal frontalidade, ao diário “The Sun”, de Massachusetts.

A sua história começou longe da Nova Inglaterra. Luís Pedroso nasceu na ilha de São Jorge e teve uma infância marcada por várias mudanças. A família viveu em Angola, regressou aos Açores e mais tarde mudou-se para a Califórnia, onde trabalhou numa exploração leiteira. Após o pai adoecer com leucemia (falecendo quando Luís tinha apenas 14 anos), a família voltou aos Açores, mas acabaria por regressar aos Estados Unidos em busca de melhores oportunidades, estabelecendo-se em Lowell.

Luís Pedroso com a mãe e os irmãos

Foi nesta cidade que concluiu os estudos na Lowell High School e iniciou o percurso que o levaria a tornar-se num empresário de sucesso.

Em 1984, com apenas 24 anos, fundou em Lowell a empresa de fabrico eletrónico “Qualitronics”, que rapidamente se transformou numa importante fonte de emprego para muitos imigrantes recém-chegados. A empresa seria vendida em 2000, mas Pedroso regressou ao setor em 2004 ao cofundar, com os irmãos, a “Accutronics”.

Entre estas duas empresas, ajudou a criar emprego estável para mais de 200 famílias, muitas delas de origem emigrante. A Accutronics foi posteriormente vendida em 2023.

Para além da atividade empresarial, destacou-se também pelo seu forte envolvimento cívico e filantrópico. Foi um dos fundadores da Greater Lowell Community Foundation, serviu como administrador da Theodore Edson Foundation e ajudou a financiar a criação da cátedra Helio and Amelia Pedroso Endowed Chair for Portuguese Studies, na UMass Dartmouth, iniciativa que contribuiu para o desenvolvimento do programa de Estudos Portugueses na UMass Lowell.

Ao longo da sua vida, recebeu diversas distinções, entre elas o Governor’s Immigrant Award, a chave da cidade de Lowell, a inclusão no Lowell High School Distinguished Alumni Hall of Fame e o American Dream Award do International Institute.

Para Pedroso, contudo, a ajuda aos outros nunca foi uma questão de “retribuição”.
“Muita gente chama-lhe retribuir. Eu não lhe chamo isso, porque nunca senti que tivesse recebido algo para devolver. Eu chamo-lhe partilhar”, explicou.

Sem ter casado nem tido filhos, Luís Pedroso desempenhou um papel central na vida dos seus sobrinhos e sobrinhas, que recordam a sua generosidade, os conselhos e o exemplo de liderança.

Nos últimos dias, amigos e familiares organizaram mesmo uma “celebração de vida em vida”, reunindo dezenas de testemunhos em vídeo de pessoas cujas vidas foram marcadas pela sua ajuda.

Perante esse reconhecimento, Pedroso admite sentir-se emocionado, mas também em paz. Depois de uma vida dedicada a criar oportunidades para os outros, acredita que o mais importante é partilhar aquilo que se tem.

E é precisamente esse espírito (o de abrir portas e ajudar os outros a crescer) que muitos consideram ser o verdadeiro legado do empresário açoriano na região de Lowell.

“Parto em paz”, garantiu, na já citada entrevista ao “The Sun”.