EUA | Senado aprova plano de 70 mil milhões de dólares para imigração

O Senado norte-americano aprovou na madrugada de quinta-feira um plano de 70 mil milhões de dólares para financiar as agências de imigração, numa tentativa de ultrapassar o impasse político que mantém parcialmente paralisado o Departamento de Segurança Interna desde fevereiro.

A resolução foi aprovada por 50 votos a favor e 48 contra, com os republicanos, maioritários na câmara alta do Congresso norte-americano, a avançarem com um mecanismo legislativo que lhes permitiu contornar o bloqueio da oposição democrata.

O financiamento de 70 mil milhões de dólares (cerca de 60 milhões de euros) destina-se à agência de imigração e alfândegas (ICE) e à Patrulha de Fronteiras, no quadro de um esforço mais amplo para reabrir o Departamento de Segurança Interna, cuja atividade está parcialmente suspensa desde 14 de fevereiro.

Os democratas têm travado a aprovação de fundos, exigindo alterações às políticas migratórias do Governo do Presidente Donald Trump, na sequência de episódios polémicos envolvendo operações federais.

Entre esses episódios estão as mortes de cidadãos norte-americanos durante ações de agentes do ICE em Minneapolis, que desencadearam protestos em várias cidades norte-americanas e intensificaram o debate sobre o uso da força por autoridades federais.

Perante o bloqueio, os republicanos recorreram ao processo de reconciliação orçamental, um mecanismo que permite aprovar legislação com maioria simples, dispensando os habituais 60 votos exigidos no Senado.

O líder republicano, John Thune, afirmou que, apesar de se tratar de um processo “complexo e em várias etapas”, a iniciativa permitirá reforçar a segurança nas fronteiras norte-americanas.

Este instrumento legislativo já tinha sido utilizado pela maioria republicana para aprovar medidas fiscais no ano passado.

A paralisação do Departamento de Segurança Interna, considerada a mais longa da história recente dos Estados Unidos, tem tido impactos operacionais, incluindo constrangimentos em aeroportos devido à escassez de agentes de segurança.

O impasse político reflete divisões profundas em torno da política migratória, num contexto marcado por operações federais intensificadas e crescente contestação pública.