NEWARK | DHS ameaça suspender o processamento de voos internacionais em aeroportos de “Cidades-Santuário”
A Administração Trump está a “desenvolver planos” para suspender o processamento de voos internacionais em aeroportos localizados em cidades-santuário, segundo o secretário da Segurança Interna, Markwayne Mullin.
Mullin afirmou na terça-feira, à Fox News, que a Administração “ainda não iniciou” essa medida, mas que está “atualmente a preparar planos” para a implementar. As declarações surgiram em resposta aos protestos realizados junto a um centro de detenção de imigração em Newark durante o fim de semana prolongado do Memorial Day, manifestações que o secretário condenou.
Escolhido pelo Presidente Donald Trump para substituir Kristi Noem na liderança do Departamento de Segurança Interna (DHS) em março, Mullin já tinha defendido esta ideia anteriormente. No mês passado, criticou as cidades-santuário, afirmando: “Se não estão a aplicar as leis de imigração, então porque é que haveria de tratar de processos de imigração na cidade deles?”
No início deste mês, reuniu-se também com responsáveis das indústrias da aviação e das viagens, tendo referido que estava a considerar reduzir o número de agentes da Customs and Border Protection destacados para aeroportos em cidades-santuário, segundo várias notícias publicadas nos meios de comunicação social norte-americanos.
Caso a Administração Trump avance com esta medida, o sector dos transportes aéreos – e do turismo – sofrerão grandes perturbações, já que os principais aeroportos do país estão nesta lista. Ainda não é claro de que forma funcionaria, na prática, a suspensão do processamento de voos internacionais em determinadas cidades, mas há alguns aspetos já conhecidos.
O que são cidades-santuário?
As chamadas jurisdições-santuário são comunidades que adotaram políticas destinadas a limitar o grau de partilha de informações ou de cooperação entre os governos locais e os agentes federais de imigração. As políticas específicas variam de cidade para cidade.
Muitas cidades governadas por democratas em todo o país são consideradas cidades-santuário, incluindo Nova Iorque, Chicago, São Francisco e Los Angeles.
Desde que Trump regressou à presidência para um segundo mandato, as políticas agressivas de imigração tornaram-se uma prioridade central da sua agenda, incluindo medidas dirigidas às cidades-santuário.
Que aeroportos poderão ser afetados?
Mullin ainda não revelou publicamente quais as cidades ou aeroportos que estão a ser analisados. No entanto, no ano passado, o Departamento de Justiça divulgou uma lista de cidades, condados e estados-santuário que, segundo o Governo, possuíam “políticas, leis ou regulamentos que dificultam a aplicação das leis federais de imigração”.
Muitas das cidades incluídas nessa lista possuem grandes aeroportos internacionais, entre elas Boston, Chicago, Los Angeles, Nova Iorque, Newark e São Francisco.
Os aeroportos John F. Kennedy International Airport, em Nova Iorque; Los Angeles International Airport; Newark Liberty International Airport; Chicago O’Hare International Airport; e San Francisco International Airport estão entre os mais movimentados centros de tráfego aéreo internacional dos EUA, segundo a publicação especializada em aviação Simple Flying.
As declarações de Mullin na Fox News geraram forte controvérsia e preocupação. Juliette Kayyem, que trabalhou no DHS durante a presidência de Barack Obama, criticou duramente a proposta.
“De todas as más ideias apresentadas por esta Administração, esta está entre as piores”, escreveu Kayyem na rede social X. “Os aviões não desviam simplesmente para outros aeroportos. Os voos seriam cancelados, afetando eleitores democratas e republicanos, prejudicando as companhias aéreas e sem qualquer impacto real na política de imigração.”
Aaron Reichlin-Melnick, investigador sénior do American Immigration Council, afirmou igualmente que a medida provocaria caos.
“As companhias aéreas não conseguem desviar grandes quantidades de voos internacionais de uma cidade para outra; seriam obrigadas a cancelar voos em massa, causando enormes prejuízos económicos que iriam muito além das grandes cidades inicialmente visadas.”

