NATO anuncia contratos de armamento de “milhares de milhões de dólares”

A NATO anunciou esta terça-feira o lançamento de vários novos contratos de armamento no valor de “milhares de milhões de dólares” que incluem compra de ‘drones’ e aeronaves da Airbus ou uma nova ‘constelação’ de satélites.

Estes contratos foram anunciados pelo secretário-geral da NATO, Mark Rutte, no Fórum da Indústria da Aliança, que se está a realizar em Ancara, na capital da Turquia, à margem da cimeira dos chefes de Estado e de Governo da Aliança.

“Os aliados e a indústria de ambos os lados do Atlântico vão apresentar novos projetos de grande dimensão e assinar contratos no valor de milhares de milhões de dólares, literalmente milhares de milhões de dólares. São milhares de milhões investidos na nossa segurança. É um investimento bem aplicado”, afirmou Mark Rutte.

Entre os contratos anunciados, cujos valores individuais não foram revelados, está a aquisição do décimo A330 MRTT da Airbus, uma multinacional europeia, que aproxima a “frota multinacional de aeronaves de reabastecimento e transporte de equipamento” da Aliança do objetivo de 12 aeronaves totais, indicou Rutte.

Nesta mesma vertente, o secretário-geral da NATO anunciou que os aliados decidiram também lançar um “novo projeto multinacional centrado no Airbus A400M” , com o objetivo de desenvolver uma “capacidade estratégica de transporte aéreo de classe mundial”.

Os aliados vão também adquirir cinco novos ‘drones’ MQ-4C Triton, produzidos pelos Estados Unidos, que proporcionam “vigilância persistente sobre vastas áreas marítimas, de dia e de noite”.

“Podem operar durante longos períodos a grande altitude e cobrir zonas extensas, incluindo em mar aberto, de forma mais eficiente do que a maioria das outras aeronaves”, referiu.

A última aquisição de equipamento anunciada relaciona-se com a sueca Saab, com dez aliados a comprometerem-se a adquirir até dez aeronaves ‘GlobalEye’ produzidas pela empresa, com o intuito de garantir que a “capacidade de vigilância e alerta aéreo antecipado detida e operada pela NATO permanece robusta e credível”.

Só aliados europeus ou o Canadá é que se comprometeram a adquirir estes equipamentos, estando os Estados Unidos envolvidos apenas na produção. Portugal não integra nenhum destes contratos.

Fora esta aquisição de capacidades concretas, foram também anunciadas várias coligações, entre as quais uma subscrita pelos 32 Aliados, incluindo Portugal, intitulada “NATO Drone Edge”.

Mark Rutte frisou que, através desta iniciativa, “os aliados irão investir mais de 40 mil milhões de euros em capacidades de combate a ‘drones’ ao longo dos próximos cinco anos”.

“E, porque estas capacidades exigem que tenhamos pessoal devidamente qualificado para as operar, os Aliados comprometem-se igualmente a formar cinco vezes mais operadores de ‘drones’ nas suas Forças Armadas até ao final de 2027”, indicou.

No âmbito da exploração espacial, a Aliança divulgou um projeto para uma “mega constelação” de satélites, que terá um custo aproximado de quatro mil milhões de dólares e não conta com a participação de Portugal.

Evidenciando que um dos maiores desafios neste tipo de tecnologia é a conectividade entre satélites, a secretária-geral adjunta da NATO, Radmila Sekerinska, realçou que este novo modelo “vai ser particularmente útil para comunicações de alta velocidade, serviços de inteligência e rastreamento de mísseis, superando as limitações de custo, tempo e cobertura das frotas de satélites de uma única nação”.

Outra das iniciativas anunciadas relaciona-se com a segurança “das matérias-primas críticas para a Defesa”, designadamente garantir um “fornecimento estável de matérias-primas, componentes e bens essenciais nos setores críticos, independentemente de eventuais choques ou interrupções”.

“Vários Aliados comprometem-se a trabalhar em conjunto na aquisição, armazenamento, transporte e gestão de reservas estratégicas de matérias-primas críticas para a defesa, componentes e materiais reciclados”, indicou.