AÇORES. Tempestade Gabrielle deixa as ilhas com um rasto de oito desalojados e 103 ocorrências
A tempestade Gabrielle atingiu nas últimas horas os Açores já como depressão extra-tropical, mas deixou um rasto de mais de 100 ocorrências e oito desalojados, estando agora a afastar-se do arquipélago.
As autoridades previam que a Gabrielle chegasse aos Açores como furacão de categoria 1 – numa escala máxima de 5 -, mas, à medida que se aproximou das ilhas, passou para depressão pós-tropical, o que não impediu que se verificassem pelo menos 103 ocorrências, mas sem causar feridos.
Com uma melhoria gradual do estado do tempo, as nove ilhas estão a regressar à normalidade, mas de forma condicionada nos grupos Central e Ocidental, que estão hoje com as escolas e serviços públicos não essenciais encerrados.
Os constrangimentos verificam-se ainda nos transportes marítimos, com a empresa que assegura as ligações de passageiros no Grupo Central a cancelar as viagens de hoje entre as ilhas do Faial e Pico.
Depois de ter accionado o seu plano de contingência na quinta-feira, que incluiu o cancelamento antecipado de alguns voos, a transportadora aérea SATA já cancelou hoje ligações entre as ilhas de São Miguel e Terceira.
Apesar de ter perdido algumas características iniciais de furacão, numa altura em que estavam previstas rajadas máximas de vento de 200 quilómetros por hora, a tempestade foi mais forte no Grupo Central, em particular, nas ilhas do Faial, Graciosa e Terceira.
Durante a madrugada de hoje, a rede do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) registou uma rajada máxima a baixa altitude de 154 quilómetros por hora, enquanto o valor máximo em altitude foi de 185 quilómetros na ilha Terceira.
Estes valores estiveram dentro dos parâmetros do aviso vermelho, o mais elevado que tinha sido emitido para a maioria das ilhas açorianas.
Quanto à agitação marítima, que causou danos avultados em portos e moradias aquando do furacão Lorenzo, em 2019, desta vez o impacto foi inferior ao que inicialmente as autoridades previam, não se registando ocorrências nas dezenas infraestruturas portuárias comerciais e de pesca do arquipélago.
Danos em infraestruturas e queda de árvores, que chegaram temporariamente a interromper algumas estradas, foram as ocorrências que mais trabalho deram às equipas de protecção civil, mas a situação mais complicada pode ter ocorrido na aerogare da lha Graciosa, que perdeu parte da sua cobertura com a força do vento.
Apesar de ainda estar a ser feito o levantamento dos danos, o Governo dos Açores admitiu que os estragos na aerogare, que serve uma ilha com cerca de 4.100 habitantes, poderá causar constrangimentos nos voos para a Graciosa, que são assegurados pela SATA Air Açores.
Os danos nas habitações das oito pessoas que tiveram de ser realojadas – quatro na ilha de São Jorge, três no Faial e uma na Graciosa – estão a ser avaliados.
O IPMA, que já baixou os níveis de aviso meteorológico nos Açores, prevê que, com o progressivo afastamento da Gabrielle dos Açores, vai-se registar uma melhoria gradual do estado do tempo, o que já se verifica na generalidade das ilhas, incluindo no Grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria), onde a tempestade não provocou ocorrências significativas.
A última grande tempestade a atingir os Açores foi em 2019, quando, a 2 de Outubro, o furacão Lorenzo de categoria 2 causou mais de 255 ocorrências em várias ilhas e estragos de 330 milhões de euros, obrigando ainda ao realojamento de 53 pessoas, mas sem causar vítimas mortais. Nessa altura, o porto comercial da ilha das Flores ficou totalmente destruído.

