BRAGA. Hospital implementa uso de app para melhorar comunicação com doentes com dificuldades
O Hospital de Braga implementou o projecto “Comunicar sem Voz” que permite aos doentes que não conseguem falar comunicarem, “de forma simples, intuitiva e eficaz”, com os profissionais de saúde, avançou esta semana o jornal O MINHO.
Em comunicado enviado à sua redacção, a Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, a que pertence o hospital, explica que esta “iniciativa pioneira” tem como objectivo “humanizar os cuidados prestados aos doentes com dificuldades de comunicação, nomeadamente aqueles submetidos a laringectomia ou traqueostomia, permitindo-lhes recuperar um direito essencial: o de se fazerem ouvir”.
“A comunicação é um pilar fundamental da dignidade humana e da relação terapêutica. Na prática clínica, o internamento no serviço de Otorrinolaringologia (ORL) da ULS Braga evidencia diariamente os desafios vividos por doentes que, por motivos clínicos, perdem temporária ou permanentemente a capacidade de comunicar verbalmente”, explica.
Ainda de acordo com O MINHO e a sua fonte, entre os casos mais frequentes encontram-se os doentes com tumores malignos da laringe, cujo tratamento implica, em muitos casos, a realização de uma laringectomia – cirurgia que remove a laringe e, com ela, as cordas vocais, inviabilizando a emissão de som pela via aérea natural. Também emergências, como traqueostomias por obstrução tumoral ou hemorragia, resultam numa perda abrupta da fala.
“Estes doentes enfrentam, no pós-operatório, uma realidade marcada por sentimentos de medo, angústia e frustração. A impossibilidade de expressar necessidades, emoções ou dores intensifica o sofrimento físico e emocional, dificultando ainda a prestação de cuidados de saúde adequados”, explica Sofia Osório, enfermeira gestora do Serviço de Otorrinolaringologia da ULS Braga, citada no comunicado.
Reconhecendo esta vulnerabilidade, a equipa de enfermagem do serviço procurou soluções que ultrapassassem os métodos tradicionais – como papel e caneta – frequentemente ineficazes face à debilidade física e emocional destes doentes.
Foi neste contexto que nasceu o projecto ‘Comunicar sem Voz’, com a adopção da aplicação MagicContact, uma ferramenta de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), gratuita, desenvolvida pela Fundação Altice, em parceria com a Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC) e o aTOPLab do Politécnico de Leiria.
“A aplicação está já a ser utilizada no serviço de ORL da ULS Braga, permitindo aos doentes comunicar de forma simples, intuitiva e eficaz com os profissionais de saúde, com recurso a tablets, atenuando, assim, os níveis de ansiedade e promovendo uma maior autonomia e conforto. Esta solução tecnológica não substitui a voz, mas devolve ao doente algo essencial: a capacidade de participar activamente nos seus cuidados, de manifestar necessidades básicas e de se sentir compreendido”, considera a ULS.

