CALIFORNIA | Gavin Newsom acusa Trump de perseguição judicial

O governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, acusou segunda-feira o Presidente Donald Trump, seu rival político, de o perseguir judicialmente a si e à sua mulher usando o Departamento de Justiça.

Num vídeo publicado no X, Newsom afirmou que nos últimos dias agentes federais interpelaram amigos e ex-funcionários seus e pediram registos “não porque encontraram um crime, mas simplesmente porque estão a tentar encontrar um”.

Trump “está a perseguir-me porque estou a considerar candidatar-me à presidência, porque ele odeia que eu o tenha denunciado repetidamente pelas suas mentiras e enganos”, adiantou Newsom.

O governador chamou o Presidente de “corrupto” e disse que a alegada investigação é mais um exemplo de Trump a abusar do sistema de justiça para atacar adversários políticos, fazendo referência às acusações contra o ex-diretor do FBI, James Comey.

Segundo a AP, que cita uma fonte próxima do caso, existem várias investigações federais envolvendo pessoas próximas de Newsom, incluindo uma relacionada com os impostos da sua mulher.

As investigações começaram no ano passado, após queixas de informadores no governo da Califórnia, e a liderança política em Washington não esteve envolvida na decisão de as abrir, adiantou a mesma fonte.

Várias investigações recentes do Departamento de Justiça a adversários de Trump geraram críticas de que o governo está a usar a agência de aplicação da lei como uma arma política.

O Departamento abriu investigações ou instaurou processos a vários responsáveis que Trump ameaçou, como James Comey, a procuradora-geral de Nova Iorque Letitia James, o ex-diretor da CIA John Brennan e o ex-presidente da Reserva Federal Jerome Powell.

Trump afastou em abril a sua procuradora-geral, Pam Bondi, que iniciou investigações contra adversários de Trump, subvertendo a cultura de independência do Departamento relativamente à Casa Branca, agindo de forma agressiva para investigar os adversários percebidos do Presidente republicano.

Durante a sua campanha eleitoral de 2024, Trump expressou repetidamente o seu desejo, uma vez de regresso ao poder, de procurar vingança contra todos aqueles que considera inimigos pessoais. 

Numa publicação nas redes sociais a 20 de setembro de 2025 – que, segundo o Wall Street Journal, era uma mensagem privada para Bondi publicada por engano e que foi posteriormente apagada – Trump expressou insatisfação por não ver qualquer ação legal concreta contra os seus rivais políticos, incluindo James Comey.

 Referindo-se ao facto de ele próprio ter sido acusado e submetido a processos de destituição várias vezes, Trump exigia “justiça, agora!”.    

Além de não ter tido sucesso no processo contra James, a procuradoria não conseguiu também levar a tribunal seis congressistas democratas que instaram as Forças Armadas a desobedecer a ordens ilegais, nem Jerome Powell. 

O sucessor de Bondi, Todd Blanche, representou como advogado várias figuras muito próximas de Trump, como Rudy Giuliani, ex-presidente da Câmara de Nova Iorque, e também o agora Presidente no caso relacionado com os pagamentos secretos à atriz pornográfica Stormy Daniels.