CANCRO: Por que razão a imunoterapia falha?
Os cientistas do The Ohio State University Comprehensive Cancer Center, EUA, relataram descobertas importantes sobre os mecanismos subjacentes da resposta do sistema imunitário ao stress, devido ao dobramento incorreto das proteínas, lançando uma nova abordagem para o tratamento de imunoterapia do cancro visando o ciclo de produção de proteínas.
Neste estudo, os investigadores do OSUCCC procuraram responder a uma questão antiga: porque é que as células T, cruciais para combater as infecções e reconhecer o cancro, por vezes ficam “exaustas” e perdem a sua eficácia?
Neste estudo pré-clínico abrangente, os investigadores revelaram uma vulnerabilidade oculta nas células T exaustas: são sobrecarregadas por proteínas mal dobradas que desencadeiam uma via de stress até agora desconhecida, agora denominada Tex-PSR (resposta proteotóxica ao stress na exaustão das células T).
Ao contrário das respostas comuns ao stress, que abrandam a produção de proteínas para ajudar as células a recuperar o equilíbrio, o TexPSR acelera a síntese proteica.
O resultado é uma acumulação inexorável de proteínas mal dobradas, grânulos de stress e agregados tóxicos, semelhantes às placas amilóides observadas na doença de Alzheimer.
Esta sobrecarga envenena as células T, prejudicando a sua capacidade de atacar tumores.
A ‘Nature Reviews Immunology’, uma importante revista de opinião na área, descreveu este fenómeno como um “choque proteotóxico”.
Surpreendentemente, quando os investigadores bloquearam os principais factores de activação do TexPSR em modelos pré-clínicos, as células T exaustas recuperaram a sua função e a imunoterapia contra o cancro tornou-se notavelmente mais eficaz.
“A exaustão das células T é o maior obstáculo à imunoterapia contra o cancro. Os resultados do nosso estudo apresentam uma resposta surpreendente e entusiasmante para este problema fundamental e podem ser cruciais para melhorar os futuros avanços científicos no campo das terapias medicamentosas contra o cancro concebidas para tirar partido do sistema imunitário”, afirmou Zihai Li, MD, PhD, autor sénior do estudo e director fundador do Pelotonia Institute de Imuno-oncologia (PIIO) no OSUCCC, Ohio, EUA.

