DESTAQUE | Luso-americano no topo da hierarquia militar dos Estados Unidos

Por HENRIQUE MANO | News Editor

A trajectória do Tenente-General Jonathan Patrick Braga é motivo de orgulho para a comunidade luso-descendente nos Estados Unidos e, em particular, para quantos mantêm laços afectivos às ilhas dos Açores. Aos 56 anos, o oficial ascendeu a uma das mais altas patentes em serviço activo nas forças armadas norte-americanas, ocupando, desde 26 de Setembro de 2025, o cargo de comandante-geral do Joint Special Operations Command (JSOC), estrutura de elite responsável por operações conjuntas de forças especiais.

O Tenente-General Jonathan Braga

Antes desta nomeação, Jonathan Braga chefiou o United States Army Special Operations Command entre 13 de Agosto de 2021 e 26 de Setembro de 2025. Passou igualmente por funções de elevada responsabilidade no United States Army Pacific (como sub-comandante-geral) e no Special Operations Command Pacific, além de ter exercido o cargo de director de operações da Operation Inherent Resolve, a campanha militar norte-americana contra o ISIS.

Raízes portuguesas e comunidade luso-americana

Jonathan Braga formou-se pela Academia Militar de West Point, em Nova Iorque

Filho de Reid (já falecido) e Mary Braga, de Attleboro, Massachusetts, Jonathan Braga tem origens paternas nos Açores, região que alimentou, ao longo de gerações, importantes vagas de emigração para a Nova Inglaterra. Cresceu na Pike Avenue, em Attleboro, num meio fortemente marcado pela presença da comunidade lusa. O pai, Reid Braga, que nasceu em Taunton, cidade onde se radicou uma antiga colónia lusa, foi vendedor numa companhia petrolífera e treinador de hóquei no gelo na Bishop Feehan High School durante duas décadas (1986–2000). Em 1987, recebeu do diário “Boston Globe” o prémio de Treinador do Ano, após conduzir o liceu ao título estadual. Faleceu em 2002, aos 58 anos, em Stoughton, vítima de um enfisema.

O Tenente-General é pai de MacKailey Braga e tem ainda dois irmãos, Christopher e Matthew. Um episódio curioso da sua vida pessoal foi o pedido de noivado feito em frente de 80 mil espectadores durante o clássico de futebol americano Army/Navy.

Formação e carreira militar de excepção

Jonathan Braga formou-se na United States Military Academy de West Point, em Nova Iorque, com bacharelato em relações públicas de segurança nacional, tendo sido comissionado como segundo-tenente de Infantaria em 1991. Iniciou a carreira na 2.ª Divisão de Infantaria, na Coreia do Sul, e serviu depois no 11.º Regimento de Cavalaria Blindada, em Fort Irwin, Califórnia.

O militar tem origens na comunidade lusa de Attleboro, MA

Concluído o curso de qualificação das Forças Especiais, integrou o 7.º Grupo de Forças Especiais (1995–2001), desempenhando cargos de comando e chefia operacional. Em 2002, voluntariou-se para o exigente processo de selecção e formação da unidade de operações especiais conhecida como “Delta Force”, em Fort Bragg, Carolina do Norte, onde exerceu múltiplas funções de liderança em destacamentos envolvidos nas operações “Operation Enduring Freedom” e “Operation Iraqi Freedom”, entre outras missões.

Mais tarde, obteve o grau de mestre no Naval War College (2006) e regressou ao seio do comando de operações especiais do Exército, assumindo cargos de grande responsabilidade no JSOC e no USASOC. Em 12 de Agosto de 2021 foi promovido a Tenente-General.

Condecorações e reconhecimento

Ao longo da carreira, Jonathan Braga foi distinguido com algumas das mais elevadas condecorações militares norte-americanas, entre as quais a Medalha de Serviço Distinto do Exército, a Medalha de Serviço Superior da Defesa (três vezes), a Legião do Mérito (duas vezes) e a Estrela de Bronze (quatro vezes).

A ascensão de um luso-descendente a tão alta posição na hierarquia militar dos Estados Unidos confirma o contributo histórico da diáspora portuguesa para a sociedade norte-americana.