EMPRESA DE EMIGRANTES MINHOTOS PÔS A ‘MARCA DE PORTUGAL’ NA RECONSTRUÇÃO DO WORLD TRADE CENTER

Por HENRIQUE MANO | Jornal LUSO-AMERICANO

Quando os dois aviões embateram violentamente nas icónicas Torres Gémeas do World Trade Center, a 11 de Setembro de 2001, o empresário português António Rodrigues, co-proprietário da ‘Roger & Sons Concrete’, tinha “de 70 a 80 empregados” a trabalhar nas obras de construção de dois edifícios de luxo com 17 andares cada na Perry Street, no bairro nova-iorquino de West Village, junto ao rio Hudson. Um dos seus homens, o arcuense Manuel Barros, não pensou duas vezes: pegou nele e, com outros colegas, rumaram de imediato para o ‘Ground Zero’, prontos a ajudar.

“Mas, quando a segunda torre colapsou, já não deixaram entrar mais ninguém no perímetro do desastre”, relembra Barros, que é minhoto de Grade, emigrou em 1992 e está há 23 anos na ‘Roger & Sons’, onde subiu todos os degraus hierárquicos até chegar a encarregado geral de obras. “Naquele dia levou-nos 8 horas a chegar a casa e foi porque saímos antes de terem encerrado os acessos a Manhattan.”

Manuel Barros, encarregado geral da ‘Roger & Sons Concrete’ e o co-proprietário António Rodrigues em frente à Torre 2, no World Trade Center, que ajudaram a construir

Anos depois, Manuel Barros estava de regresso à zona do WTC, desta feita para orientar as obras em que a empresa de António Rodrigues participaria, ao edificarem-se duas das 7 torres do novo World Trade Center, a 3 e a 4. “Dado o que nos tinha acontecido, representou bastante para mim ter feito parte dessas obras”, reconhece. “Lembro-me até na altura em que se falou na reconstrução da baixa de ter dito que ainda haveríamos de fazer parte dela. E assim foi.”

O empresário António Rodrigues também não esconde o orgulho… “Poder deixar a nossa marca num espaço destes é sim um grande orgulho para a nossa família e para os nossos trabalhadores”, afirma. “No 11 de Setembro eu estava no escritório da firma mas no primeiro dia que aqui vim, até me arrepiei ao olhar para o buraco na terra onde iria ser erguida a Torre 4. A nossa atitude de imediato foi andar para a frente, ninguém pára a América.”

António Rodrigues nasceu em Arcos de Valdevez, Minho, e emigrou para a América em 1963, fixando-se no estado de Nova Iorque, onde ainda vive. Em 1977, é o pai, o já falecido Acácio Rodrigues, quem funda a empresa em sociedade com os três filhos e Andy Lopes. “O Roger surge porque alguém que não conseguia pronunciar Rodrigues chamou Roger ao meu pai e ele resolveu adoptar o nome”, conta.

A firma, estabelecida em Lagrangeville, NY, hoje pertence à sociedade entre António Rodrigues, o irmão José Manuel Rodrigues e a cunhada Maria Rodrigues. Especializa-se em obras de colocação de cimento, sendo empreiteiro de fundação, estrutura e construção exterior. Emprega cerca de duas centenas de pessoas, “das quais 30% são portuguesas, mas chegámos a ter mil empregados.”

A Torre 4 do WTC começou a ser construída em Janeiro de 2008, sete anos depois dos ataques; é também conhecida pela sua morada, 150 Greenwich Street, e foi desenhada pelo arquitecto e prémio Pritzker Fumihiko Maki, tendo 298 metros de altura. Serve de sede à Autoridade Marítima de Nova Iorque e New Jersey e foi finalizada em 2013. É o 3.º edifício mais alto no novo complexo do WTC.

A Torre 3, em cuja construção a ‘Roger & Sons’ também esteve envolvida, situa-se paredes meias com a 4, na mesma Greenwich Street. As obras arrancaram em 2010 mas só estariam prontas quatro anos depois, por falta de possíveis ocupantes. Com 329 metros de altura e 80 andares, é o 9.º edifício mais alto de Manhattan.

“Foi a Torre 4, contudo, onde tínhamos apresentado uma proposta de orçamento a rondar os 270 milhões de dólares, que nos abriu muitas portas em Nova Iorque”, sublinha Manuel Barros.

O empreiteiro português António Rodrigues no WTC, em Nova Iorque

A ‘Roger & Sons’ está actualmente envolvida em várias obras de construção na ‘Big Apple’, incluindo no espaço Hudson Yards, com António Rodrigues a considerar a crise provocada pela COVID quase ultrapassada.

O próximo projecto não envolve cimento mas saudade: pretende levar a família de férias a Portugal, onde já não vai desde 2012, “e ir de norte a sul do país.”

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