EUA | Novo secretário da Segurança Interna é aprovado com margem curta

A nomeação do senador Markwayne Mullin como novo secretário norte-americano da Segurança Interna – sucedendo a Kristi Noem – foi aprovada esta quinta-feira, por uma pequena margem (oito votos a favor e sete contra), numa comissão do Senado controlada pelos republicanos. A nomeação ainda requer, porém, uma maioria no Senado, numa próxima votação ainda não agendada.

Mullin prometeu, em audiência, que a agência que irá dirigir não invadirá residências ou locais de trabalho sem ordem judicial prévia, exigência que os seus agentes de imigração têm ignorado desde o ano passado.

A necessidade de ter estas ordens judiciais é uma das condições que os democratas exigem aos republicanos para aprovar o orçamento do Departamento, parcialmente encerrado desde 14 de fevereiro.

Além disso, no Senado, Mullin esclareceu algumas das políticas que mais tensão geraram nos últimos meses, ao afirmar que o serviço de imigração deveria centrar-se na vigilância de criminosos perigosos em vez de realizar operações comunitárias em massa como as de Minneapolis.

Mullin declarou também que se arrepende dos comentários que fez sobre o manifestante Alex Pretti, assassinado por agentes federais nas manifestações contra as operações de imigração em Minneapolis no passado 24 de janeiro, nos quais afirmava que ele era “um indivíduo perturbado” e alguém que “ia causar o máximo dano”.

“Provavelmente deveria ter-me retratado dessas palavras. Não deveria ter dito isso”, afirmou Mullin ao senador Gary Peters.

Figura central na política de deportação em massa de imigrantes de Donald Trump, Kristi Noem foi demitida a 6 de março, após tensas audições no Congresso, as primeiras desde a morte, em janeiro, de dois manifestantes que protestavam contra agentes do ICE em Minneapolis.

Segundo os meios de comunicação norte-americanos, o Presidente ficou particularmente irritado quando Noem afirmou ter obtido a sua aprovação para uma campanha publicitária de 220 milhões de dólares destinada a incentivar os imigrantes a regressarem voluntariamente aos seus países de origem, em vez de esperarem pela deportação.

Durante as eleições de 2024 e no início do seu segundo mandato, há um ano, Donald Trump fez do combate à imigração ilegal a sua principal prioridade, referindo-se a uma “invasão” dos Estados Unidos por “criminosos estrangeiros” e promovendo deportações de imigrantes em massa.

O seu programa de deportações em massa foi frustrado ou atrasado por inúmeras decisões judiciais, incluindo as do Supremo Tribunal, predominantemente conservador, sob o argumento de que os visados devem poder exercer os seus direitos.