EUA | Vance avisa Teerão para “não brincar” com negociações para travar guerra

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, avisou esta sexta-feira o Irão para “não brincar” com os Estados Unidos, antes de partir para Islamabad, onde liderará negociações com vista a pôr fim à guerra em curso há seis semanas.

A deslocação surge por iniciativa do Presidente Donald Trump, que encarregou um dos seus mais próximos aliados – e considerado um dos mais céticos face à intervenção militar – de procurar uma solução diplomática para o conflito iniciado a 28 de fevereiro.

Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo conselheiro Jared Kushner, deverá participar em negociações mediadas com representantes iranianos na capital paquistanesa, sem que a Casa Branca tenha detalhado o formato dos encontros.

As conversações decorrem num contexto de elevada tensão, com um cessar-fogo temporário a mostrar sinais de fragilidade e divergências profundas entre as exigências de Washington, de Israel e de Teerão.

O Irão defende que a trégua deve incluir o fim das operações militares israelitas no Líbano, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e Trump rejeitam essa interpretação, mantendo as ações contra o Hezbollah.

Por seu lado, os Estados Unidos exigem que Teerão reabra o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas mundiais, encerrado após a intensificação dos ataques israelitas no Líbano.

Na quinta-feira, Trump acusou o Irão de não cumprir o acordo, afirmando que está a “fazer um mau trabalho” ao permitir a passagem de petroleiros.

A deslocação de Vance representa um raro momento de contacto de alto nível entre Washington e Teerão, sendo que, desde a Revolução Islâmica de 1979, um dos poucos episódios de diálogo direto ocorreu em 2013, quando o então Presidente Barack Obama falou por telefone com o seu homólogo iraniano Hassan Rouhani.

Apesar da iniciativa diplomática, persistem dúvidas quanto à capacidade de alcançar um entendimento, face ao histórico de desconfiança e às exigências consideradas inconciliáveis entre as partes.

A missão constitui também um teste político para Vance, com experiência limitada em diplomacia, mas crescente protagonismo na administração norte-americana.

Especialistas admitem que o perfil mais cético do vice-presidente em relação a intervenções militares poderá ser visto por Teerão como um sinal de abertura, embora alertem para a complexidade das negociações.

Além do impacto internacional, o desfecho das conversações poderá ter implicações internas nos Estados Unidos, onde aumenta a pressão política para um acordo e onde Vance surge como um potencial candidato presidencial nas eleições de 2028.