EXCLUSIVO | Português Luís Henriques eleito para o Comité Escolar de Springfield, no estado de New Jersey

Por HENRIQUE MANO | Sprinfield, NJ

No passado dia 4 de Novembro, o município de Springfield, estado de New Jersey, elegeu para o seu Comité Escolar um nome que carrega consigo uma história profundamente inspiradora: Luís Henriques, 45 anos, natural de Aveiro, freguesia da Glória, e emigrante desde criança. A sua vitória representa muito mais do que um resultado eleitoral – simboliza a força das raízes, o poder da educação e a determinação de um pai que transformou desafios pessoais numa missão pública.

Luís tinha apenas oito anos quando deixou Portugal rumo aos Estados Unidos. Aterrou em Newark, onde o seu percurso escolar começou na Anne Street School, seguindo depois para o liceu East Side High School – escola que viria a marcar o seu destino de forma irreversível.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | O então candidato Luís Henriques durante a campanha eleitoral rumo ao Comité Escolar de Springfield, NJ

Depois de estudar na Montclair State University, regressou à East Side, agora como professor de Estudos Sociais, onde também treinava equipas de futebol e atletismo. A sua dedicação ao ambiente escolar rapidamente o projetou para novas responsabilidades: sete anos depois, tornou-se director desportivo, e três anos mais tarde assumiu o cargo de vice-director. Chegaria mesmo a desempenhar funções de director interino durante quatro meses, antes de, há seis anos, assumir a direcção da Oliver Street School, onde continua a liderar com a mesma paixão de sempre.

O seu percurso é um exemplo raro de alguém que trilhou praticamente todos os caminhos dentro de uma escola pública – aluno, professor, treinador, administrador, director. Uma vida inteira entregue à educação.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Luís Henriques e a família; um dos filhos foi a razão que o catapultou para esta “aventura” política

A decisão de se candidatar ao Comité Escolar de Springfield nasceu em casa, na experiência com o seu filho mais velho, Adrian, aluno das Springfield Public Schools.

“Adrian foi recentemente diagnosticado com autismo, após anos de atrasos e dificuldades no acesso aos apoios necessários”, explica o novo membro do Comité Escolar, em entrevista exclusiva ao jornal LUSO-AMERICANO. “Para mim, que conheço o sistema por dentro, a experiência foi reveladora – e inquietante. Se para mim, com conhecimento técnico e capacidade para questionar, o processo foi complicado, como seria para tantas outras famílias que não sabem interpretar documentos legais ou não conhecem os seus direitos?”

Decidiu então que precisava de estar “onde pudesse influenciar decisões, orientar o superintendente, exigir mais recursos para áreas críticas, como a educação especial, e sobretudo garantir que nenhuma família fosse deixada para trás”, explica.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | Luís Henriques vai fazer parte do Comité Escolar do município de Springfield, NJ

Foi a primeira vez que concorreu a um cargo público, mas trouxe consigo algo que poucos podem oferecer: 23 anos de experiência real, diária e directa dentro de escolas públicas.

No Comité Escolar, vê o seu papel como extensão da sua vocação: representar as famílias e defender os alunos. A experiência acumulada em escolas grandes e complexas dá-lhe a confiança necessária para questionar decisões, propor melhorias e compreender profundamente as consequências de cada medida tomada ao nível central.

“A função do Board é representar o povo”, sublinha. “Os pais são a prioridade número um”.

Luís acredita que as escolas são tão fortes quanto a participação das suas famílias. Para ele, pais de crianças com deficiência – mas também todos os pais – devem sentir-se encorajados e capacitados para fazer perguntas, exigir explicações e acompanhar o progresso dos seus filhos.

“Os pais não podem ter medo de ir às escolas e fazer perguntas. A participação deles é essencial”.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | O português quer usar o seu capital como director de uma escola de Newark para tomar boas decisões também em Springfield

A sua presença no Comité Escolar representa exactamente isso: a crença de que a educação se faz em conjunto, com responsabilização, transparência e diálogo constante.

A história de Luís Henriques é, no fundo, uma história portuguesa: de trabalho, persistência e compromisso. É a história de um menino de Aveiro que atravessou o Atlântico, cresceu numa nova língua e, pela força da educação, se tornou líder na comunidade que o acolheu.

Agora, como membro eleito do Comité Escolar de Springfield, leva consigo não apenas a sua experiência, mas também o orgulho das suas origens e a vontade de garantir que cada criança – tal como o seu filho – recebe o apoio, o respeito e as oportunidades que merece.

É um exemplo de como as nossas raízes podem viajar connosco, inspirar-nos e transformar as comunidades onde vivemos. Uma história que enriquece Springfield – e que orgulha Portugal.

O COMITÉ ESCOLAR DE SPRINGFIELD

O Board of Education de Springfield, composto por 9 elementos, supervisiona o distrito de escolas públicas de Springfield, que atende alunos da pré-escola até a 12.ª série. Actualmente, o distrito conta com 5 escolas.

Segundo dados do ano lectivo de 2022–2023, há aproximadamente 2.236 alunos matriculados no distrito, com cerca de 168 professores em tempo integral. 

Para o ano lectivo de 2024–25, o Comité Escolar aprovou um orçamento de 58,196 milhões para o distrito escolar, superior aos 51,705 milhões do ano anterior. Além disso, no relatório financeiro de 2024, os gastos operacionais foram de cerca de 50,6 milhões.

O Comité Escolar de Springfield define várias metas estratégicas para garantir a boa gestão e o desenvolvimento dos estudantes, nomeadamente excelência educacional, responsabilidade fiscal, apoio sócio-emocional, comunicação com a comunidade e planeamento estratégico.