IRÃO | Teerão mantém programa nuclear e controlo de Ormuz em acordo com EUA

A imprensa oficial iraniana noticiou esta sexta-feira que o programa nuclear iraniano seria discutido com Washington num prazo de 60 dias, no âmbito de um projeto de acordo-quadro, com Teerão a recusar ceder o controlo do estreito de Ormuz.

“ O Irão só negociará o programa nuclear no âmbito dos princípios fundamentais da República Islâmica, e questões como o direito do Irão a enriquecer urânio e a conservação de material enriquecido (…) serão apresentadas para inclusão no acordo final”, afirmou a agência oficial de notícias iraniana IRNA, citada pela agência francesa AFP.

A mesma agência afirma que Teerão não renunciaria ao controlo do estratégico estreito de Ormuz nos termos do projeto de acordo-quadro com os Estados Unidos.

“O Irão não assume qualquer compromisso neste texto de ceder a gestão do estreito ou de restaurar as condições que prevaleciam antes da agressão militar americana e israelita”, segundo a IRNA, que descreve “as linhas principais do texto atual” atualmente a ser finalizado.

Também a Mehr, a agência de notícias semi-oficial apoiada pelo Governo de Teerão, divulgou hoje o projeto de acordo com os Estados Unidos para estabelecer um quadro para pôr fim à guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano.

Segundo a Mehr, o projeto de acordo-quadro prevê uma “cessação permanente e imediata das hostilidades em todas as frentes, incluindo no Líbano”, além de “60 dias de negociações para alcançar um acordo sobre questões nucleares e o levantamento total das sanções” pelos Estados Unidos.

Citando uma fonte próxima da equipa negociadora iraniana, a agência afirma que o rascunho incluía “a libertação” de 24 mil milhões de dólares (cerca de 20,7 mil milhões de euros) “em fundos iranianos bloqueados durante o último período de negociação de 60 dias”, acrescentando que metade deste montante seria “disponibilizado ao Irão antes do início das negociações”.

Estas revelações contradizem os anúncios recentes dos EUA e de Israel, que iniciaram em 28 de fevereiro ataques contra Teerão.

Na quinta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, cancelou os ataques que tinha ameaçado projetar contra o Irão nessa noite.

“Acabámos de alcançar um acordo muito bom para terminar a guerra com o Irão e, assim que os documentos estiverem finalizados, o que deverá acontecer nos próximos dias, provavelmente faremos a assinatura, talvez na Europa”, declarou.

Apesar do anúncio, Trump não forneceu detalhes sobre o conteúdo do acordo, exceto que garantia a reabertura imediata do estreito de Ormuz, que o Irão bloqueou em retaliação pelos ataques israelo-americanos, e a “impossibilidade” de o Irão adquirir armas nucleares.

De acordo com uma mensagem do gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, Donald Trump prometeu que qualquer acordo final incluiria “a eliminação do urânio enriquecido” de Teerão.

Entretanto, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, sublinhou hoje que Teerão defenderá a sua “independência, dignidade e integridade territorial” apesar das pressões e ameaças” dos Estados Unidos.

“Durante mais de 100 noites, a nação iraniana tem estado presente a defender o país e a revolução, frustrando os planos dos inimigos”, disse o líder iraniano, segundo a televisão IRIB.

Pezehskian salientou que “muitos dos cálculos e planos do inimigo falharam graças ao apoio e resistência do povo”.

Irão e Estados Unidos trocaram nos últimos dias ataques e contra-ataques, ameaçando o frágil cessar-fogo em vigor desde abril.

Neste contexto, os ataques do Irão a alvos em países vizinhos como o Bahrein, Kuwait e Jordânia têm suscitado críticas generalizadas de outros intervenientes da região, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

A possibilidade de uma resolução para o conflito fez com que os preços do petróleo caíssem, com o preço do barril de petróleo Brent do Mar do Norte, a referência global, a cair para 89,12 dólares.

Sexta-feira, os mercados asiáticos abriram em terreno positivo, com o índice Nikei em Tóquio a subir mais de 3% e o Kospi em Seul em alta, com mais de 8%.