LUTO | Morre aos 89 anos a cantora e actriz Anita Guerreiro, com fortes laços de família aos Estados Unidos
A fadista e actriz Anita Guerreiro morreu na madrugada de ontem, domingo, aos 89 anos, na Casa do Artista, em Lisboa, onde residia há mais de 11 anos. A morte aconteceu de causa natural, de acordo com a imprensa portuguesa.
Numa publicação na rede social Facebook, a Casa do Artista, onde estava a hospedada, escreve: “Partiu, esta noite, a incontornável Anita Guerreiro. Senhora de uma voz inconfundível e de um imenso talento, a todos marcou pelo amor que transmitia em cada palavra, em cada gesto. Sem vedetismos, conforme fazia questão de frisar, era inteira em palco, em frente aos ecrãs e no dia a dia de todos/as aqueles/as que com ela se cruzavam (…) Calou-se a voz, mas fica para sempre o legado desta grande Senhora da cena artística portuguesa. Descanse em paz, querida Anita Guerreiro”.

Anita Guerreiro foi a primeira voz do clássico “Cheira bem, cheira a Lisboa”
A cantora deixa de luto vários familiares radicados nos Estados Unidos da América, que chegou a visitar com frequência quando a idade e a saúde ainda o permitiam – incluindo a filha Pepita. Cardinalli, intérprete comunitária em Newark, e o genro, o jornalista Luís Pires, pivot do canal SPT Television.
Rebiana Guerreiro Rocha Cardinalli nasceu em Lisboa a 13 de Novembro de 1936 e, aos sete anos, já mostrava os dotes a cantar para familiares e amigos na colectividade Sport Clube do Intendente, bairro onde cresceu. Ao mesmo tempo que se destacava a cantar fado, estreou-se em 1955 no palco do Teatro Maria Vitória, nas revistas “Ó Zé aperta o laço” e “Festa é Festa”.

Com a filha de Newark, NJ, Pepita Cardinalli, também cantora e há vários anos radicada nos EUA
Anita Guerreiro participou no filme, “Lisbon” (1956) de Ray Milland, onde interpretou o tema “Lisboa Antiga”. Anos mais tarde, no Parque Mayer, fundou e dirigiu a casa típica ‘Adega da Anita’, por onde passaram grandes figuras do fado. Acabou por encerrar o espaço e rumou com o marido para Angola, onde permaneceu três anos. Quando regressou a Lisboa, integrou o elenco do Teatro Capitólio, no teatro de revista.
Ao longo da sua carreira que se dividiu entre o fado e o teatro, deu voz a vários êxitos, de onde se destacam “Cheira bem, cheira a Lisboa”, que mais tarde viria a ser interpretado por Amália Rodrigues, e “Peço a Palavra”. Estas interpretações conduziram-na ao Prémio Estevão Amarante para Melhor Artista de Revista, em 1970.

A cantora e actriz numa das suas últimas deslocações à América
Anos mais tarde, participou nos elencos de algumas telenovelas e séries portuguesas, casos de “Primeiro Amor” (1995), “Roseira Brava” (1996), “Uma Casa em Fanicos” (1998), “A Loja do Camilo” (1999), “Nunca Digas Adeus” (2001), “Os Batanetes” (2004), e, mais recentemente, “Sentimentos” (2009).
Foi também convidada para madrinha de várias marchas populares de Lisboa.
Em 2004 foi homenageada pela Câmara Municipal de Lisboa, que lhe entregou a Medalha Municipal de Mérito, Grau de Ouro.

