Marítimo Murtoense: O clube que ajudou a escrever a história do futebol português em New Jersey
Muito antes do futebol português ganhar a projeção que hoje tem em New Jersey, o Marítimo Murtoense já fazia história. Numa conversa com Manny Lopes, presidente do clube, recuámos ao início da década de 80, uma época em que o Marítimo disputava a prestigiada Schaeffer League, considerada uma das competições mais fortes da região.
Na altura, a liga era dominada pelo Vistula, equipa da comunidade polaca que trazia da Polónia jogadores semiprofissionais para competir nos Estados Unidos. Do lado português, eram poucas as equipas capazes de rivalizar ao mais alto nível: Sport Club Português, Marítimo Murtoense, Sport Newark e Benfica, Beira-Mar e Elizabeth Portuguese. Mais tarde juntaram-se clubes como os Bairradinos e os Valencianos, entre outros, fortalecendo ainda mais o futebol da comunidade.
Entre as histórias mais curiosas recordadas por Manny Lopes está a conquista do título de campeão do Estado de New Jersey. A festa foi inesquecível… mas a taça desapareceu. Muito tempo depois acabou por ser encontrada dentro de um barril onde se guardava vinho, um episódio que ainda hoje faz parte do imaginário do clube.
Manny Lopes recorda que o Marítimo revolucionou o futebol comunitário quando contratou Joe Manso, proveniente do Sport Club Português e considerado um dos maiores treinadores da comunidade portuguesa.
Outro nome incontornável foi Armando Spencer, treinador, jogador e verdadeiro homem da casa, que deixou igualmente a sua marca ao criar uma equipa feminina de futebol no Marítimo, uma iniciativa pioneira para a época.
Também passaram pelo clube figuras como Rui Dias, antigo internacional júnior pelo FC Porto e treinador-jogador do Marítimo, e Rui Sim Sim, vencedor da Taça de Portugal pelo Sporting de Braga, que também brilhou como treinador com a camisola murtoense.
O segredo do sucesso passava ainda pelo recrutamento de jogadores das universidades de Nova Iorque, enquanto os dirigentes asseguravam apoios, como subsídios de transporte, para manter plantéis altamente competitivos.
Mas talvez um dos momentos mais marcantes da história do clube tenha acontecido quando o Marítimo Murtoense viajou até Portugal para defrontar o Marítimo da Murtosa, unindo simbolicamente as duas margens do Atlântico num encontro carregado de emoção e significado para toda a comunidade. Um capítulo inesquecível da história do clube, ao qual a WNN – Luso Americano TV dedicará em breve uma edição especial, revisitando esse momento sublime e ouvindo os protagonistas que o tornaram possível.
Mais do que um clube de futebol, o Marítimo Murtoense é um património vivo da comunidade portuguesa nos Estados Unidos, um símbolo de dedicação, identidade e paixão pelo desporto que continua a inspirar gerações.

