MILITAR PORTUGUÊS CRIOU MURAL COM MAIS DE 100 NOMES DE VETERANOS LUSO-AMERICANOS

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Por HENRIQUE MANO | Jornal LUSO-AMERICANO | em Danbury, CT

O português Arlindo (Al) Almeida não precisa de lições de patriotismo. Nem de provar a sua devoção ao país que, desde os 11 anos de idade, se tornou na sua segunda nação.

Natural de Vila Franca da Serra, Al Almeida tinha 18 anos de idade quando, indeciso em relação a que carreira abraçar, se alistou no exército. Iria estar quatro décadas nas Forças Armadas dos Estados Unidos, numa longa trajectória a incluir duas missões de guerra no Iraque – em 2003, durante a Operação ‘Liberdade Duradoura’, e em 2006 (primeiro com o batalhão 411 Civil Affairs e posteriormente ligado à brigada 358 Civil Affairs). A cada uma delas dedicou um ano da sua vida.

“Fiz parte da primeira vaga de soldados norte-americanos que libertou Bagdade”, diz o major Al Almeida, em entrevista ao jornal LUSO-AMERICANO. “Aliás, um dos meus soldados deu assistência médica ao Alto Comissário das Nações Unidas no Iraque, Sérgio Vieira de Mello, quando o brasileiro sofreu o atentado onde viria a morrer.”

❝FIZ PARTE DA PRIMEIRA VAGA DE SOLDADOS NORTE-AMERICANOS QUE LIBERTOU BAGDADE❞

➔Arlindo (Al) Almeida, major do exército (na reforma)

Hoje, Al Almeida revive os horrores da guerra graças ao stress pós-traumático que adquiriu no Iraque. A perturbação psicológica provoca-lhe ansiedade, depressão e sentimento de revolta. Apesar de nunca se ter ferido em combate, “apanhei vários sustos, sobretudo na segunda passagem pelo Iraque. Ainda hoje, por exemplo, não posso ouvir fogo de artifício”, conta.

O major luso-americano diz, contudo, dever muito à carreira militar. “Nela aprendi a ter auto-estima, a respeitar o próximo e a olhar o mundo com a mente aberta”, afirma. “Aprendi ainda a lidar com a diversidade, a entender outras raças e culturas, enfim, deu-me todas as ferramentas de liderança necessárias para ser alguém.”

Por volta de 2004, Al Almeida começou a recolha de nomes de militares luso-americanos da área de Danbury, em Connecticut, que deram o seu contributo para a afirmação da América e dos seus ideais de liberdade no globo. “Tive a ajuda do advogado Américo Ventura e também do vosso jornal, o LUSO-AMERICANO, que na altura divulgou a ideia”, explica. “A ideia era a criação de um mural com os nomes desses luso-americanos, braço das forças armadas a que estiveram ligados e o conflito em que participaram.”

❝A VIDA MILITAR ENSINOU-ME A LIDAR COM A DIVERSIDADE, A ENTENDER OUTRAS RAÇAS E CULTURAS❞

➔Arlindo (Al) Almeida, major do exército (na reforma)

Por volta de 2009, era finalmente inaugurado o mural, no espaço nobre à entrada do Centro Cultural Português; os cerca de 120 militares são todos da zona de Danbury e ou são sócios ou filhos de associados.

“Os portugueses de farda também têm defendido a América e os seus ideais”, nota o major Al Almeida. “Gostava que este mural servisse para que as gerações vindouras de luso-descendentes tenham disso consciência.”

O oficial superior também fez a oferta ao Centro Cultural Português de uma bandeira americana que sobrevoou a embaixada dos Estados Unidos em Bagdade – igualmente exposta à entrada da agremiação, com fotografias de vários militares.

Arlindo é filho dos imigrantes serranos António e Cecília Almeida; depois de ter chegado a Danbury com 11 anos, frequentou o liceu Abbott Tech e ainda fez um semestre universitário, optando então pela vida militar. Depois do treino em Alabama, foi colocado numa base norte-americana na Alemanha. No regresso a Danbury, entra na reserva enquanto tira criminologia na Western Connecticut State University. Torna-se então investigador criminal, actividade a que se dedica durante 25 anos até à entrada na reforma.

Agora lecciona ‘Liderança’ na área militar no ‘Westhill High School’, em Stamford, CT, o que faz pelo segundo ano consecutivo (tendo o primeiro sido na ‘New York Military Academy’, nos arredores de West Point).

Em 2007, Al Almeida concorreu a presidente da câmara de Danbury pelo partido democrata e não põe de lado a hipótese de voltar a candidatar-se no futuro a um cargo político.

O militar na reforma está casado com Carla Cardoso.