NEW JERSEY | Jorge Alves é o único tenente de origem portuguesa no Union County Sheriff’s Office

Por HENRIQUE MANO | Elizabeth, NJ

O tenente Jorge Alves, de 49 anos, natural de Elizabeth, NJ, é actualmente o único oficial de origem portuguesa a servir no Union County Sheriff’s Office. Filho de emigrantes minhotos de Arcos de Valdevez, construiu toda a sua carreira policial no departamento a que está agora afecto.

Criado em Elizabeth, Alves entrou para a força policial aos 22 anos de idade, depois de ter trabalhado e estudado na região. O impulso decisivo surgiu do contacto com familiares e amigos já ligados às forças de segurança. “Tinha dois primos que eram polícias e guardas prisionais, e um amigo com quem trabalhava antes de vir para aqui”, conta, em entrevista aos jornal LUSO-AMERICANO. “Eu estava a estudar e a trabalhar em cavalariças em Linden. Ele entrou para o departamento e contou-me como era. Eu pensei: ‘parece-me um bom sítio para trabalhar’”. O tenente traduz o episódio como tendo percebido que o serviço público lhe poderia dar estabilidade e sentido de missão, levando-o a candidatar-se, prestar provas e ser admitido.

Foto: JORNAL LUSO-AMERICANO | O Tenente luso-americano Jorge Alves

A sua formação decorreu na John H. Stamler Police Academy, em Scotch Plains, NJ, onde concluiu o curso da academia policial. Ao longo dos anos, foi assumindo diversas responsabilidades até ser promovido a tenente em 2020.

Actualmente, encontra-se destacado no centro de controlo, na divisão dos tribunais. “Estamos encarregados, em termos gerais, das operações do dia-a-dia da divisão dos tribunais e de um complexo de segurança”, explica, sublinhando que a função envolve coordenação permanente e vigilância de varias equipas. Em linguagem simples, o oficial esclarece que a sua unidade assegura o normal funcionamento e a segurança quotidiana dos serviços judiciais.

A ligação a Portugal mantém-se viva, ainda que marcada por momentos dolorosos. “Infelizmente estive lá em Julho por causa do falecimento da minha mãe”, conta. “O meu pai mudou-se para lá; regressou há cerca de três anos».

Bilingue, Jorge Alves considera que o domínio da língua portuguesa é uma mais-valia no exercício da profissão. “Andando por Elizabeth e pela área de Newark, há muitos portugueses. Isso ajuda a comunicar com eles». Na prática, afirma que poder falar português facilita o contacto com a comunidade, reforça a confiança e melhora a resposta policial em contextos de proximidade.

O percurso de Jorge Alves é visto como um exemplo de integração e serviço público, mostrando como a herança emigrante pode conviver com uma carreira de responsabilidade nas instituições norte-americanas, sem perder o vínculo à terra dos pais.