UCRÂNIA | Hungria admite pela primeira vez retirar veto à adesão de Kyiv à UE

O primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, admitiu pela primeira vez levantar o veto de Budapeste à adesão da Ucrânia à União Europeia (UE), caso Kyiv adote medidas para respeitar uma minoria húngara.

Em conferência de imprensa, o novo primeiro-ministro afirmou que foi contactado por telefone pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, a quem informou que o Governo húngaro “começou consultas com o lado ucraniano a nível técnico de forma a reconquistar direitos culturais, educacionais e linguísticos da minoria húngara na Transcarpátia”.

“Os 11 pontos que pedimos que sejam aceites são conhecidos por Bruxelas e pelo lado ucraniano. Não pedimos nada além do que qualquer minoria na Europa merece”, comentou o primeiro-ministro conservador, numa declaração transmitida pela Euronews.

“Este é um pré-requisito para o possível contributo, em junho, para a abertura do primeiro capítulo de adesão” de Kiev à União Europeia, adiantou.

Esta é a primeira vez que Budapeste admite aceitar a adesão da Ucrânia, um cenário rejeitado pelo anterior governo húngaro, liderado pelo ultranacionalista Viktor Orbán, derrotado por Magyar nas eleições legislativas de abril, após 16 anos consecutivos no poder.

Após as eleições, Péter Magyar também mostrou resistência à adesão de Kiev aos 27, afirmando ser contra uma entrada rápida e por se tratar de um país em guerra.

No sudoeste da Ucrânia, a Transcarpátia acolhe uma importante minoria húngara, estimada em cerca de 100 mil pessoas, e que tem sido por vezes motivo de tensão, com a Hungria a acusar o Governo de Kiev de desrespeitar os direitos desta população.

Segundo a Euronews, o governo de Viktor Orbán, considerado pró-Moscovo, criou um plano de 11 pontos com o objetivo de restaurar os direitos da comunidade húngara na Ucrânia.

No final de abril, Magyar anunciou a intenção de se reunir com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no início de junho, para “ajudar a situação dos húngaros na Transcarpátia”, propondo “um local simbólico” para o encontro, a cidade de Berehove, na Ucrânia, onde a maioria da população é húngara.

De acordo com a Euronews, a União Europeia exigiu que Kiev aplique um ambicioso plano de ação para as minorias, abrangendo húngaros, mas também romenos, polacos e búlgaros.

O Presidente ucraniano já afirmou que Kiev está a “trabalhar em todas as questões” ligadas à minoria étnica húngara, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou disponibilidade parta dialogar com Budapeste sobre todas as questões, “com o objetivo de restaurar a confiança e as relações de boa vizinhança”.