No dia 10 de Março, o engenheiro maquinista Ermelindo Andrade, 56, apanhou um voo da SATA em Boston com destino a Ponta Delgada, nos Açores. O imigrante madeirense, que reside desde 2015 na Flórida, tinha como planos ir ao Funchal tratar de documentos e, posteriormente, passar pela ilha das Flores, onde tinha vivido, para visita a familiares.

Mas a pandemia da COVID-19 mudou-lhe os planos…

A Ilha das Flores no mapa e a Flórida: um oceano de separação

“Acabou por ficar retido em Ponta Delgada e já não conseguiu apanhar o avião para a Madeira”, conta a mulher, Ana Paula Andrade, em declarações ao jornal LUSO-AMERICANO. “Optou então por um voo inter-ilhas que o levou ao Corvo e daí só de barco é que conseguiu chegar às Flores.”

É na ilha do chamado grupo ocidental do arquipélago açoriano que Ermelindo Andrade se encontra desde 11 de Março, “em casa de amigos nossos. Pelo menos não têm de pagar estadia, mas vai contribuindo com a compra de comida para ajudar” – diz a mulher.

A companhia aérea SATA só garante voo de regresso dia 1 de Maio, para a ligação Ponta Delgada-Boston; Andrade espera depois apanhar um avião da JetBlue para a Flórida no dia seguinte, “já com as despesas todas por nossa conta” – nota Ana Paula Andrade. “E muito possivelmente ainda poderá ter de ficar de quarentena obrigatória em Boston.”

O imigrante Ermelindo Andrade esta semana na Ilha das Flores, onde está retido devido à pandemia da COVID-19

A situação veio alterar toda a rotina familiar dos Andrade – e certamente desiquilibrar-lhe o orçamento: a esposa de Ermelindo, que é doméstica, o filho mais novo (7 anos) e a nora estão em Spring Hill, junto ao Golfo, na Flórida. “Vai estar pelo menos dois meses sem trabalhar”, refere Ana Paula Andrade. “E vamos ver se o patrão o aceita de volta…”.

Os Andrade, com 4 filhos, casaram-se em 1990 em Rhode Island, onde viviam; em 1996, resolvem fixar-se na ilha das Flores, “para onde o meu pai tinha resolvido regressar. Queríamos que os nossos filhos tivessem contacto com ele e com a nossa cultura”, conta Ana Paula. Aí focaram até 2015, quando se resolvem pelo regresso à América, estabelecendo-se então na Flórida.

Para Ana Paula Andrade, o importante vai ser “pagar a hipoteca da casa, a conta da água, luz e internet. O resto logo se verá…”.

O casal tem dois filhos em duas áreas de prioridade na actual situação de emergência que o país vive: um é fuzileiro naval, outra enfermeira.

Ana Paula espera que “Deus permita que sim, que em Maio o meu marido já cá esteja, mas, por outro lado, se for para correr grandes riscos de saúde em viagens e passagens por aeroportos, se calhar é melhor que ele se mantenha por lá.”