Saudades, expectativas e ceticismo no arranque do ‘metrobus’ na Lousã
O ‘metrobus’ arrancou ontem pela primeira vez da Lousã, após décadas de espera. Na viagem, há quem fale de esperança num serviço mais frequente, há quem deixe para trás as saudades da automotora e quem ainda guarde algum ceticismo.
Carina Vaz, de 30 anos, está habituada a fazer o percurso até Coimbra desde que entrou no secundário. Na altura, o ramal ferroviário tinha acabado de encerrar para dar lugar a um projeto de metro de ligeiro de superfície que acabou interrompido, sendo retomado anos mais tarde como ‘metrobus’ – autocarros elétricos a circular em via dedicada.
Depois de muitos anos de espera e expectativa, Carina apanhou ‘hoje’ o autocarro do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) na estação da Lousã, já não para ir estudar para Coimbra, mas para trabalhar.
“Esperava que fosse mais rápido e já anda a-trasado”, lamentou a ha-bitante da Lousã, que contabilizava já mais de 13 minutos de atraso que deveria ter saído às 07:38 daquela paragem.
No telemóvel, acabava também de receber o relato de uma amiga, que contava que o ‘metrobus’ em que seguia estava tão cheio que já não deixava entrar mais ninguém nas estações por onde passava.
Apesar disso e apesar de a viagem demorar quase uma hora (sensivelmente o mesmo tempo da automotora), Carina Vaz conta agora ser utente regular do sistema, que assegura mais frequência e melhores horários que os serviços rodoviários alternativos que foi usando ao longo destes 16 anos.
“Espero que seja bom e que se alargue a mais concelhos”, disse, com expectativa que, no futuro, os atrasos deixem de existir.

